O poder de manipulação das mídias
Enviada em 23/10/2021
No livro “1984” de George Orwell, é retratada uma realidade distópica totalmente manipulada e controlada pelas mídias, sob a supervisão do “Grande Irmão”, antagonista da obra. Fora da ficção, os meios midiáticos têm papel importante no pensamento coletivo da sociedade, visto que detém os meios de comunicação. Contudo, o poder de manipulação midiática pode trazer problemas para a sociedade. Diante disso, torna-se necessária a discussão das consequências dessa problemática, como a perda de senso crítico e a criação de um hábito consumista.
Primeiramente, é necessário destacar que o poder de manipulação da imprensa é um problema latente ao elemento supracitado. Isso ocorre, pois, de acordo com filósofo Michel Foucault, há uma “docialização dos corpos”, ou seja, uma dominação cultural em que a forma de pensar do indivíduo é controlada conforme as ordens dos mecanismos de poder. Nesse viés, as mídias são utilizadas como facilitadora desse processo, tomando como base sua capacidade de expansão da informação. Desse modo, a atitude questionadora da população fica cada vez mais passiva, logo, o efeito dessa conjuntura é uma sociedade sem senso crítico, que fica sujeita aos interesses das classes dominantes.
Além disso, é importante analisar que o consumismo desenfreado se mostra como fator relevante no que concerne a capacidade de controle midiático. Diante disso, para exemplificar, tomamos como base o consumo de álcool no Brasil, que segundo o Jornal Estadão, em 2016, chegou a 8,9 litros superando a média internacional de 6,4 por pessoa. Dessa forma, é perceptível que o aumento dessa consumação tem sido fruto de propagandas que utilizam da função conativa em seus anúncios publicitários, para persuadir o público alvo a consumirem o produto anunciado. Sendo assim, esse caráter consumista atual pode apresentar à sociedade aspectos negativos como o aumento no número de doenças relacionadas principalmente com a obesidade.
Portanto, a problemática supramencionada necessita ser melhor visada. Para isso, às escolas e os pais devem instruir crianças e jovens desde cedo para lidar com a explosão de informações divulgadas nos meios midiáticos, por meio de palestras que demostrem como são feitas as manipulações e como identificá-las, além de instigar, progressivamente, o questionamento e o senso crítico, a fim de que a população não fique mais sujeita ao valor manipulador da imprensa. Ademais, o Governo Federal deve criar leis que fiscalizem os conteúdos abordados nas redes de comunicações, banindo conteúdos que apresentam em sua composição aspectos de persuasão excessivos, com a finalidade de atenuar o consumismo exagerado. Destarte, o que foi visto em “1984” não ocorrerá na atualidade.