O poder de manipulação das mídias
Enviada em 20/10/2021
De acordo com a Escola de Frankfurt - a qual possui como principais expoentes Theodor Adorno e Max Horkheimer - a “indústria cultural”, ao buscar incessantemente o lucro e, logicamente, a intensificação do consumismo, massifica e padroniza todo tipo de produção cultural, de modo a reduzir a real liberdade de escolha. Nesse sentido, no Brasil do século XXI, a manipulação dos meios de comunicação sobre a sociedade tem formado uma população cada vez mais alienada e com uma falsa liberdade, por ser condicionada pelo leque de opções consideradas válidas pelos grandes conglomerados midiáticos. Logo, essa conjuntura é preocupante e merece um olhar mais crítico.
Diante disso, Victor Hugo - inspiração da Geração Condoreira do Romantismo brasileiro - ao afirmar
que quem poupa a vida do lobo, sacrifica a ovelha, estabeleceu uma relação atemporal e universal de causa e consequência. Nesse contexto, o Estado, ao não desenvolver e aplicar políticas públicas eficazes em impedir o condicionamento do consumo ao propagado pela indústria cultural e não proteger a liberdade da população, poupa esse cenário de latente controle social. Dessa forma, a população, bombardeada incessantemente por informações e publicidade, assim como a ovelha na metáfora do francês, padece. Assim, será possível observar um agressivo surgimento da padronização das personalidades individuais, de modo a favorecer a perpetuação desse tipo de influência midiática.
Ademais, conforme Jurgen Habermas, a “ação comunicativa” se configura na capacidade de as pessoas debaterem e lutarem pelo que acreditam ser melhor para a comunidade, demandando ampla interatividade prévia. Sob essa ótica, a exacerbada presença de mídias digitais e tecnologia na vida da população, somada à consequente pouca exigência de diálogo interpessoal real, juntas, provocam a carência de criticidade dos usuários desses veículos. Dessa maneira, torna-se possível observar, caso a parcela politicamente engajada da população não utilize as redes sociais de forma socialmente produtiva, um crescente agravo da desvalorização da discussão acerca desse poder de influência da mídia na vida do povo. Consequentemente, é imprescindível a dissolução das raízes desse problema.
Portanto, medidas com real potencial de atenuar esse cenário são extremamente necessárias. Nessa conjuntura, é dever do Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias Estaduais de Educação, promover o contato dos alunos das escolas com a temática da influência midiática sobre o poder de escolha dos indivíduos no cerne de sua formação intelectual e psicológica - a partir de encontros recorrentes ministrados por profissionais da área - inseridos na carga horária e pedagógica das instituições de ensino, a fim de formar gerações independentes e com real liberdade de escolha. Somente assim, será possível preservar a diversidade de pensamento na população a longo prazo.