O poder de manipulação das mídias

Enviada em 25/10/2021

O documentário “O dilema das redes”, da Netflix, traz uma discussão importante acerca das novas tecnologias, informando o telespectador sobre o monitoramento constante a que está submetido e sobre como isso é utilizado para controlá-lo. Logo, é possível constatar que o poder de manipulação, não só das redes sociais, mas das mídias de amplo alcance, é recorrente no cotidiano, o que ocasiona, sobretudo, o aumento do consumismo e da cultura de massa.

Primordialmente, cabe destacar a perda de consciência de compra da população. Acerca de tal lógica, segundo Bauman, o mundo capitalista contemporâneo vem se tornando cada vez mais consumista, devido, principalmente, ao maior poder de impacto das mídias obtido com o avanço da tecnologia. Dessa forma, na chamada “sociedade do consumo”, o indíviduo é constantemente bombardeado por propagandas que, muitas vezes, manipulam o comprador e fazem com que ele adiquira coisas das quais não precisa realmente. Infelizmente, tais informações comprovam que o controle excercido pelas mídias reduz a quantidade de consumidores conscientes.

Outrossim, é importante pontuar a influência da manipulação na cultura de massa. Sob essa ótica, a música “Adorável Chip Novo”, da Pitty, faz uma reflexão acerca da massificação dos gostos na sociedade atual. Nos versos “Pane no sistema, alguém me desconfigurou”, por exemplo, percebe-se que, constantemente configurado pelos padrões definidos nas mídias, o eu lírico perde sua individualidade e é comparado a um robô. Ao sair do âmbito musical, é triste observar a presença de tal cenário na vida dos indivíduos, visto que os interesses pessoais são cada vez mais moldados pela famigerada indústria cultural. Além de reduzir signicativamente a singularidade de cada um, isso atesta que a cultura de massa advém da preocupante manipulação das mídias.

Portanto, sabendo disso, o Ministério da Educação (MEC) precisa investir em maneiras de melhorar a consciência de compra da população, por meio da promoção de palestras didáticas, ministradas por economistas, sobre “Educação financeira”, a fim de reduzir o poder de manipulação das propagandas veiculadas pelas mídias e, consequentemente, o consumismo. Ademais, o MEC deve ampliar a pedagogia de Paulo Freire, a partir do incentivo a debates sobre a cultura de massa em sala de aula, para formar cidadãos criticamente ativos e mais difíceis de serem configurados pela indústria cultural. Assim, será possível diminuir o “dilema das redes”.