O poder de manipulação das mídias

Enviada em 20/10/2021

Quando Joseph Geobbles, ministro da propaganda da Alemanha Nazista, disse que “uma mentira contada mil vezes torna-se uma verdade”, referia-se às divulgações enganosas feitas durante esse período cruel da história. No contexto dos dias atuais, o aspecto mais preocupante dessa afirmação é a sua adequação à febre das “fake news”. Vivemos em uma era digital, um mundo no qual o poder da individualização da informação por meio da manipulação midiática é catalisador dos mais variados problemas de escala social.

No ano de 2019, a Organização Mundial de Saúde incluiu o errôneo movimento antivacina nas dez maiores ameaças para a saúde global, colocação que ganha ainda mais justificativa após o início da pandemia do COVID-19. Embora não seja recente, esse grupo ganhou muita força durante esta mesma crise, justamente por causa das fake news, estas que são criadas com o objetivo de expandir causas inverídicas, do mesmo teor desta. Indivíduos que não buscam a raíz das informações compartilhadas nas diversas redes sociais tornam-se vítimas deste crescente ciclo de desinformação. A infeliz relação entre o imoral criador da mentira, e o ignorante divulgador da mesma, reforça tanto qualquer que seja o movimento que esteja visando sua disseminação, quanto o impacto das notícias falsas na sociedade.

Não obstante, há pessoas que acabam se colocando na posição de manipulado por si só. Plataformas como o Instagram, uma das muitas que usa os dados do usuário como meio para “personalizar” anúncios da interface, são um exemplo do quão fechado é o reino digital. Entendendo-se a disposição de um indivíduo em se informar corretamente, refletimos um pouco mais sobre o tópico de manipulação da mídia. O usuário vive em seu próprio mundo, lê somente as reportagens que deseja, participa exclusivamente de debates que o interessam, e, por conseguinte, ignora assuntos reais e conhecimento essencial para a convivência em sociedade. Ao nos acomodar em nosso próprio espaço na esfera sociodigital, deixando nossos dados serem estudados e convertidos em lucro potencial, andamos em direção à uma sociedade ainda mais sujeita à influência maliciosa da mídia.

Infere-se, então, que a responsabilidade por parte do indivíduo, quando se trata do controle da informação, é enorme. É difícil levar organizações e empresas a abandonar hábitos de manipulação, porém, simples atitudes – como: sempre verificar a origem dos “fatos” que se vê online, não compartilhar informações duvidosas, estar sempre antenado nas discussões socias atuais, e não se perder em uma falsa realidade, criada com intuito de manusear seu comportamento – já bastam. Logo, a formação de opiniões sem fundamento, por intervenção da mídia, será apenas uma tentativa fútil, já que nenhuma mentira se tornará verdade enquanto estivermos cientes de sua real natureza.