O poder de manipulação das mídias

Enviada em 26/10/2021

A tela “Nu descendo uma escada”, de Marcel Duchamp, busca representar o movimento, como se estivesse um passo atrás em oposição às ideias futuristas. Analogamente, saindo da representação artística, percebe-se que o atraso se perpetua diante da questão do poder da manipulação das mídias. Dessa forma, é necessário analisar as raízes da problemática, que é intensificada pela exposição precoce de crianças aos veículos midiáticos e pela ausência de criticidade dos indivíduos.

Em primeiro lugar, é notório que a exposição de crianças aos veículos midiáticos colabora com o poder manipulatório da imprensa. Nessa perspectiva, o filósofo Mário Sérgio Cortella classifica a mídia como um corpo docente, pois ela faz parte do processo de terceirização da educação, levando informações e apresentando comportamentos aos expectadores, que, muitas vezes os incorporam de maneira espontânea. Assim, sabendo-se que a parcela infantil da sociedade está em processo de crescimento e de constante absorção das informações recebidas, a exposição aos aparelhos tecnológicos pode educa-las de uma maneira inadequada de acordo com seu grau de desenvolvimento.

Por conseguinte, é fundamental apontar a aceitação, por parte da sociedade, de conteúdos supérfluos como um fator impulsionante da manipulação midiática. Nesse sentido, de acordo com o conceito de “indústria cultural” criado pelos filósofos alemãos Adorno e Horkhaimer, a mídia aliena a população por meio de repetições do mesmo conteúdo porém feitas de formas diferentes, com a finalidade de criar uma necessidade de consumo. Dessa maneira, ao ser feito um paralelo desse conceito com a modernidade líquida observada pelo sociólogo Zygmunt Bauman, identifica-se que a mídia apresenta produtos e ideias com validade limitada, se esvai como líquido, fazendo, assim, com que o indivíduo se encontre em constante moldagem por ela.

É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver o impasse. Nesse contexto, o Governo Federal em conjunto com o Ministério da Educação deve, por meio de incentivos fiscais, enviar profissionais da área jurídica e da saúde para que estes concedam palestras alertando até qual ponto a influência da mídia é benéfica e legal, tal ação irá ampliar o conhecimento das pessoas acerca daquilo que consomem diariamente e fazer com que elas diminuam o contato com aquilo que é classificado com caráter manipulatório. Ademais, os canais de comunicação devem transmitir propagandas que contenham o relato de pessoas que já vivenciaram experiências negativas devido a coação da imprensa, com isso, o senso crítico das pessoas irá aumentar e a análise dos conteúdos consumidos virará rotina. Assim sendo, o problema será resolvido e o atraso retratado na obra modernista ficará restrito apenas a ela.