O poder de manipulação das mídias
Enviada em 22/10/2021
Em “O Mito da Caverna”, o filósofo grego Platão explicitou os perigos de uma existência fadada à ignorância. A partir de uma metáfora na qual pessoas eram acorrentadas e, ao tomar como o mundo verdadeiro as sombras projetadas nas paredes da caverna, ele demonstrou os riscos da alienação. Ao sair da ficção, é possível perceber, na realidade contemporânea brasileira, a relação entre a situação de manipulação vivida pelos prisioneiros da caverna e os cidadãos brasileiros que são constantemente manipulados pelo que veêm na mídia. A partir desse contexto, é fundamental entender os motivos da utilização intensa dos meios midáticos, bem como o impacto causado a partir da sua banalização.
Com efeito, é evidente que a tecnologia, em especial a mídia, tem um papel fundamental como escape de uma realidade exaustiva. Isso ocorre porque, desde a Primeira Revolução Industrial, a relação entre o homem e a máquina tornou-se intrínseca, fazendo-se necessário acompanhar as mudanças. Nesse contexto, à luz do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, a sociedade do século XXI tornou-se uma “Sociedade do Cansaço”, isto é, uma sociedade que está sempre à procura de meios para escapar de uma existência árdua. Assim, as mídias surgiram como uma forma de ajudá-lo a acompanhar as notícias do que acontecia ao seu redor, mas também tornou-se uma fuga da realidade e única forma de obter conhecimento, tornando os seus usuários, muitas vezes, influenciados pelo que se é divulgado.
Como consequência, há uma naturalização do poder midiático sobre as pessoas, em especial as menos instruídas e preparadas para lidar com o mundo da tecnologia. Isso pode ser explicado a partir da observação do direcionamento de conteúdo a partir de quem o consome. Como grande exemplo, há a existência de algoritmos, que são caracterizados por recomendar apenas especificidades de acordo com o perfil de cada usuário, mantendo-o alienado a um mundo de poucas diferenças em relação ao que ele consome. Dessa forma, como antes já explicitado a partir do termo “Indústria Cultural” - uma indústria que tem como principal objetivo vetar a capacidade de discernimento do consumidor -, o usuário dessas redes de informação é condicionado para apenas reproduzir aquilo que lhe é imposto.
Portanto, admite-se que todos os que consomem produtos midiáticos tenham a instrução necessária. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação, responsável pela formação do cidadão, em parceira com a Mídia Socialmente Engajada, promova políticas públicas para todas as faixas etárias. Isso poderá ser realizado a partir de palestras em centros educacionais, ministradas por psicólogos e profissionais que tenham experiência com o ramo da mídia e abertas à comunidade em geral, a fim de que seja explicitado os perigos decorrentes das manipulações ocorridas através da mídia. Dessa forma, a realidade metafórica construída por Platão será apenas uma alegoria criada na antiguidade clássica.