O poder de manipulação das mídias
Enviada em 25/10/2021
O filme “Triunfo da Vontade”, produzido em 1935, na Alemanha nazista, promoveu a disseminação dos ideais totalitários na sociedade alemã, ação que manipulou fatos socio históricos em favor do projeto ditatorial e intolerante do III Reich, evidenciando a influência midiática na sociedade. Dessa maneira, é visível que o deficit educacional, possibilitador da alienação e padronização de discursos e comportamentos, e a reificação da ação de dominação ideológica pelo enfraquecimento das relações sociais são impasses determinantes do poder de manipulação da mídia no Brasil.
Nessa perspectiva, cabe analisar a interligação do deficit educacional, possibilitador da alienação e padronização de discursos e comportamentos, com o poder de manipulação da mídia no Brasil. Sendo assim, durante a ditadura do Estado Novo no país, instituída por Getúlio Vargas, houve a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda, órgão responsável por regular a imprensa e realizar o apoio propagandístico ao novo regime político, ações que manipularam as camadas populares a favor de tal. Desse modo, é evidente que, devido à histórica marginalização social do processo de formação educacional, as minorias sociais são continuamente alienadas mediante ferramentas de mídia, fato que uniformiza os comportamentos, favorecendo a acriticidade, apatia e anomia social.
Além disso, é conveniente examinar a relação da reificação da ação de dominação ideológica pelo enfraquecimento das relações sociais com o poder da mídia no Brasil. Destarte, Zygmunt Bauman, destacado filósofo contemporâneo, afirma, em sua tese da modernidade líquida, que a nova dinâmica socio econômica, associada aos mecanismos midiáticos, possibilitou a fragilização das relações sociais, que tornaram-se efêmeras e fluidas. Assim sendo, é visível que a liquidez das interações interpessoais, pela mídia, normativiza a manipulação exercida por tal no convívio social, fato que perpetua impasses socio históricos, como o egocentrismo social no país.
Posto isso, cabe, portanto, a intervenção do Estado para mitigar o poder de manipulação da mídia no Brasil. Dessa maneira, assiste ao Ministério da Educação, junto ao Ministério da Cidadania, promover a efetivação de aulas conjuntas entre as Ciências Humanas, em escolas, e a realização de campanhas em veículos de mídias, como as redes sociais, por exemplo. Nesse proceder, será viável consolidar a conscientização e formação educacional crítica acerca dos efeitos da mídia no convívio social, com o intuito de pôr fim à alienação e coerção das ações individuais e solidificar bases da sociedade para atingir a plena consciência sobre a dominação ideológica exercida por mecanismos midiáticos. Dessa forma, será possível galgar o pleno equilíbrio das relações da sociedade, para que, então, haja o triunfo da vontade popular, consciente, crítica e unificada.