O poder de manipulação das mídias

Enviada em 25/10/2021

A década de 1947 marcou o início de um longo período de grande polarização ideológica que ficou conhecido como Guerra Fria. Nesse mesmo período, por causa da manipulação midiática feita pelos jornais televisivos, instarou-se no Brasil um grande medo na população das “ameaças” comunistas, fator que muito colaborou para o Golpe Militar em 1964. Com essa abordagem, é possível questionar quando que a mídia deixa de ser uma aliada da informação e como ela se articula para moldar o pensamento popular.

Em primeiro lugar, é preciso compreender a mídia como uma forte ferramenta do sistema capitalista, que serve para impulsionar o consumismo e formar opinião pública através dos meios de comunicação. Em outras palavras, a grande mídia funciona como a “boca” da classe dominante, ou seja, é por onde ela passa a sua ideologia e dita as regras do dia a dia. Com isso, ela deixa de ser uma fonte de conhecimento e passa a ser uma fonte de alienação do indivíduo, gerando um desequilíbrio na sociedade que passa a não criticar os alicerces que sustentam os preconceitos, a pobreza, a crise climática e diversos outros problemas sociais que têm como causa um sistema que se preocupa apenas em produzir e acumular riqueza à custa da exploração de trabalhadores, para uma pequena parcela da população. Assim, enquanto a mídia for uma ferramenta burguesa, esses problemas continuarão existindo e se agravando.

Em segundo lugar, deve-se entender que, é por meio da cultura que o sistema dominante atual consegue impor sua ideologia na mente e no dia a dia das pessoas. Nesse contexto surge o termo industria cultural, empregado pela primeria vez no livro “Dialética do esclareciemnto”, escrito pelos filósofos Max Horkheimer e Theodor Adorno da escola de Frankfurt, onde Adorno fala sobre a mercantilização da cultura e suas consequências na sociedade, como por exemplo a domesticação dos movimentos sociais e a erradicação da autonomia de opinião, e em como o capitalismo transformou a cultura numa mercadoria e a produção cultural em uma produção industrial. Mesmo tendo sido escrita no século passado, essa obra continua sendo bastante atual e perfeitamente encaixada no contexto de manipulação midiática. Fica claro assim, que a mídia usa da cultura para moldar o pensamento social.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse.  O Estado, em conjunto com o Ministério da Educação, deve criar políticas públicas associadas à formação de pensamento autônomo nas crianças, com o intuito de formar cidadãos que busquem questionar o que lhes é repassado, tudo isso a partir de debates com professores da aréa de ciências humanas e atividades criativas e personalizadas para cada aluno. Assim, o poder de manipulação das mídias será enfraquecido.