O poder de manipulação das mídias

Enviada em 21/10/2021

A docilização dos corpos, segundo o filósofo Michel Foucault, define-se como algo que pode ser manipulado, aperfeiçoado, transformado. Nesse sentido, boa parte das indústrias midiáticas “docilizam” os indivíduos, de modo a torná-los obedientes e de fácil manipulação. Nessa perspectiva, esse tipo de coação proposto pela mídia acarreta um consumismo desenfreado, além de gerar pouca reflexão e criticidade por parte dos sujeitos.

Em primeira análise, vale salientar que as mídias, sejam elas sociais ou televisivas, têm um grande poder de manipulação, de modo a passarem a ideia de que é preciso “ter” para “pertencer”, o que corrobora um consumismo alienado e infudado pelos indíviduos. Nessa lógica, o sociólogo Theodor Adorno diz que as mídias criam uma “indústria cultural”, ou sejam, produzem mercadorias que promovem uma satisfação compensatória e efêmera, de maneira a visarem somente o capital e a padronização de culturas. Visto isso, percebe-se a necessidade de combater esse aparato midiático que promove um consumo desenfreado pela população, tendo o Poder Público como principal articulador para atingir tal objetivo.

Em segunda análise, vale ressaltar que a falta de criticidade e reflexão pela sociedade influencia nesse poder de manipulação das mídias. Isso porque essa indústria age como “corpos docentes”, de modo que uma parte da população toma como verdade absoluta tudo que é veiculado nesses meios, muitas vezes, sem questionar a informação divulgada. Nessa perspectiva, o filósofo Immanuel Kant diz que os sujeitos precisam atingir a “maioridade intelectual” para desenvolverem o pensamento autônomo e, assim, refletirem o mundo de maneira mais crítica e sensata, tendo a educação como instrumento principal para atingir tal ideal. Dessa forma, percebe-se a necessidade de incentivar o racicínio crítico e reflexivo como forma de atenuar a manipulação das pessoas pelas mídias, tendo o Ministério da Educação como principal fomentador para atingir esse resultado.

Portanto, com o objetivo de atenuar o poder de manipulação da indústria midiática, o Poder Público, juntamente com redes televisivas, pode criar um programa de TV intitulado “Quem pensa enriquece” no qual convidem educadores financeiros, sociólogos e os espectadores em geral, tendo o objetivo de debater, de maneira lúdica e inteligente, sobre os gastos na sociedade, com foco no consumismo, de modo a visar a atenuação deste. Outrossim, o Ministério da Educação deve investir capital nas instituições de ensino, de maneira a incentivar a capacitação dos docentes para que eles ministrem aulas a partir do ideal kantiano da “maioridade intelectual”, além de promoverem palestras, para pais e alunos, acerca da importância da criticidade e reflexão como blindagem da manipulação das mídias.