O poder de manipulação das mídias

Enviada em 26/10/2021

Na obra “1984”, do escritor George Orwell, é apresentado ao público um mundo ficcional no qual os valores e ideias são deformados, invertidos e vendidos na forma de slogans. Em seu ambiente fictício, o autor retrata uma realidade distópica, mas que se assemelha muito ao século XXI devido ao poder de manipulação midiática. Nesse aspecto, tal problemática é causada pelo avanço errôneo do capitalismo e gera a ignorância populacional.

A priori, deve-se entender que, desde o momento que os homens decidiram trocar o modo de vida nômade e se organizar em tribos, métodos de manipulação são empregados na sociedade. Entretanto, com o avanço desenfreado do capitalismo na primeira metade do século XX, grandes figuras e empresas encontraram nas mídias uma forma de alcance maior para tal ato. De acordo com Adorno e Horkheimer, criadores do termo “indústria cultural”, no momento que a produção industrial passa a ter como finalidade apenas o lucro, ocorre uma padronização do produto e a meta é a venda. Sendo assim, as multinacionais passam a utilizar as funções midiáticas para ludibriar e manipular, objetivando beneficiar a si mesmas e adquirir capital.

Consequentemente, devido a intensa manipulação vinda das mídias, o público perde sua capacidade de julgar e passa a viver na ignorância. Na obra “A hora da Estrela”, da escritora Clarice Lispector, a personagem Macabéa tem como passatempo ouvir a rádio e colecionar anúncios, sendo essas as formas de lidar com sua existência deplorável. Nesse viés, assim como a protagonista, os receptores de mensagens dos meios de comunicação são vítimas dessa tentativa de alienação para que sejam induzidos a consumir produtos e ideias, esquecendo-se de seus direitos. Desse modo, cria-se um corpo social ignorante e padronizado, no qual a mídia dá uma falsa sensação de liberdade enquanto impõe uma ideologia.

Em suma, o poder de manipulação das mídias é gerado pelo capitalismo e tem como consequência a ignorância do povo. Dessa forma, é dever do Ministério da Educação auxiliar a população na quebra da falsa ideia de liberdade, por meio da aplicação de aulas sobre educação financeira e atitudes críticas no currículo escolar, objetivando o desenvolvimento econômico seguro e o pensamento autônomo dos indivíduos, assim realidades como a apresentada por Orwell não se consolidariam nas sociedades.