O poder de manipulação das mídias
Enviada em 22/10/2021
A série “Black Mirror”, estreada em 2011, procura extrapolar aspectos da vida contemporânea para gerar reflexões e críticas sobre a realidade. De tal forma, o tema basal da série está atrelado às redes sociais, a principal expressão da mídia na atualidade. Logo, as histórias retratadas podem ser vistas enquanto um exercício imaginativo, ao ilustrar o poder de manipulação das redes. Duas repercussões desse fenômeno são: a mudança nos paradigmas estéticos e a mercantilização da cultural.
Em primeiro plano, é válido destacar as mudanças que as redes sociais fomentam no ideal de aparência. A escritora Naomi Wolf, em seu livro “O mito da beleza”, aborda os padrões estéticos e como esses impactam as pessoas negativamente, especialmente as mulheres. No decorrer da obra, a autora menciona como a mídia amplifica um tipo de corpo em detrimento dos demais e, com seu poder de alcance, estabelece novos paradigmas do que é considerado belo. Dessa maneira, a audiência é manipulada a perseguir padrões irreais.
Ademais, a mídia também tem o poder de influenciar a opinião pública por meio do entretenimento. O conceito de “indústria cultural”, cunhado por expoentes da Escola de Frankfurt como Theodor Adorno, se refere à massificação da arte para fins lucrativos. Quando a arte para de ser experienciada e passa a ser consumida, ela perde seu caráter crítico e singular. Assim, o público fica sujeito a narrativas únicas, facilmente moldadas para servir a quem controla os meios de comunicação.
Portanto, é possível concluir que as mídias possuem um grande poder de manipulação, com capacidade de influenciar indivíduos, assim como o coletivo. Devido a isso, o Poder Legislativo deve conceber e aprimorar diretrizes para os veículos tradicionais assim como as redes, para proteger os usuários. Além disso o Ministério da Cidadania necessita atuar a favor da produção cultural, associado a ANCINE (Agência Nacional do Cinema) por exemplo, ampliando ofertas de entretenimento para a população.