O poder de manipulação das mídias

Enviada em 25/10/2021

Na obra “Farenheit 451”, do escritor Ray Bradbury, é representada uma sociedade distópica em que a população é ensinada, por meio de salas com grandes telas, a odiar livros e a queimá-los. Nesse histórica obra, é possível perceber o poder de manipulação das mídias e seu papel como formador da opinião pública. Sendo assim, faz-se necessário uma análise a respeito dos principais impactos desse poder midiático, a saber: a padronização dos indivíduos e o processo de alienação que os aflinge.

Com efeito, é importante notar como a mídia influencia na padronização do corpo social. Isso porque, assim como estudado por teóricos como Adorno e Horkheimer, da Escola de Frankfurt, o meio midiático é responsável pela transferência de conhecimentos e, por isso, torna-se uma ferramenta educacional. Nessa perspectiva, e, levando em conta o contato cada vez mais precoce com propagandas e programas de TV , os indivíduos são moldados, em favor da Indústria Cultural, como consumidores acíduos e pensadores falhos. Logo, a docência da mídia é coloca em jogo, em um embate entre a construção de uma cultura consumista e uma sociedade crítica.

Além disso, é válida a percepção do poder manipulador da mídia no que tange ao processo de cegueira social. Essa situação, semelhante ao que ocorre na obra “Ensaio sobre a Cegueira”, do escritor José Saramago, diz respeito a uma carência de senso crítico e participação política. Nesse caso, o corpo midiático é responsável pela criação de um projeto de consumo “míope”, ou seja, uma anestesia social que impede a população de enxergar a realidade problemática que a cerca. Consequentemente, tem-se a perpetuação de desafios contemporâneos e de uma postura inerte em relação a eles.

Portante, urge que o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação atue, aliado ao Ministério da Educação, na promoção de uma educação digital efetiva que acompanhe o uso das tecnologias. Tal projeto educacional exigirá a  estruturação de palcos - digitais ou não - para apresentação de aulas socioeducativas abertas ao público, mas direcionadas a pais e a filhos. Essas aulas devem tratar da importância da mídia, baseando-se nos dois “c-pilares”: criatividade e criticidade. Tudo isso ocorrerá mediante o redirecionamento de 2% do PIB brasileiro, com o objetivo de transformar o poder de manipulação da mídia em uma ferramenta educacional positiva, distante da realidade apresetada na obra distópica “Farenheit 451”.