O poder de manipulação das mídias

Enviada em 23/10/2021

O documentário ‘’O dilema das redes’’, veiculado pela plataforma de entretenimento Netflix, teve uma grande repercussão social por abordar os malefícios do uso excessivo da internet, destacando-se a superexposição na mídia e seu o poder de manipulação para com seus usuários, que se apresenta tanto em aplicativos de redes sociais quanto na democracia de uma sociedade num todo. Em analogia à obra não-ficcional, a sociedade brasileira tem se mostrado, de modo desfavorável, cada vez mais integrada ao mundo tecnológico. Sendo assim, torna-se imprescindível discutir a problemática do forte poder de manipulação da mídia no Brasil.

É de primordial necessidade que salientar o Brasil apresentou dados de crescimento de 2,1% no quesito consumismo no último ano, segundo dados da Intenção de Consumo das Famílias (ICF). Tal dado é alarmante, pois segundo o filósofo Fabiano de Abreu, o consumo alienado de mercadorias de qualquer tipo está diretamente ligado ao poder de manipulação de suas respectivas empresas sobre seus consumidores. Em consonância, segundo informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 60% dos jovens brasileiros sofre de algum distúrbio alimentar devido a persuasão mental da mídia, ao se depararem com a exposição de uma beleza invisível em redes sociais e serem influenciados a participar no alistamento da ditatura dos corpos perfeitos.

Além disso, a preocupação dos responsáveis para com os conteúdos que seus filhos acessam na internet ou na televisão apresenta-se de maneira desleixada, tendo em vista que a falta de supervisão parental proporcionou a 89% de crianças e adolescentes brasileiros o acesso precoce à internet e, consequentemente, às chamadas ‘’fake news’’, segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). Por conta disso, mais de 17% dos jovens são influenciados e manipulados pela mídia mais facilmente, o que agrava também a questão de se lograr uma democracia equilibrada, uma vez que a mesma, futuramente, será constituída por mentes alienadas e influenciáveis.

Infere-se, portanto, a necessidade de intervenção parental, por meio da supervisão e da restrição de aplicativos que seus filhos, principalmente os menores de idade, devem acessar, afim de estabelecer limites para o forte poder de manipulação da mídia em mentes despreparadas. Ademais, cabe aos órgãos midiáticos a gestão de suas propagandas e postagens na internet, almejando a filtração daquilo que é confiável e saudável, tanto física quanto emocionalmente, aos seus consumidores. Cabe ainda ao Governo, por meio de palestras dadas por profissionais de economia e psicólogos, alertar a sua população como se proteger dos malefícios da persuasão midiática.