O poder de manipulação das mídias

Enviada em 26/10/2021

O livro “1984”, do escritor George Orwell, narra um mundo distópico em que o governo totalitário utiliza a mídia como principal instrumento de controle da sociedade, a qual distorce os fatos para coagir a população. Apesar de ser uma ficção, percebe-se que esse domínio exercido pelos meios de comunicação representa, infelizmente, uma realidade no Brasil. Dessa maneira, é imporante analisar como o poder de manipulação desses mecanismos tornou-se parte do processo formativo humano e seu papel fundamental na manutenção da ideologia capitalista.

Primeiramente, é válido resaltar que a capacidade de manipulação dos meios de comunicação é intensificado devido à precária construção crítica dos sujeitos. Tal concepção baseia-se na teoria da “Mídia como corpo doscente”, do pedagogo Mário Sérgio Cortella, o qual afirma que os mecanismos de informação tornaram-se os principais educadores dos indivíduos na atualidade, pois as pessoas são expostas cada vez mais cedo e de forma constante as ideias divulgadas. Nesse setido, nota-se que a fragilidade formativa humana deve-se a poderosa atuação desses aparatos informativos, os quais selecionam mensagens e distorcem fatos de acordo com os seus interesses. Desse modo, cria-se uma sociedade alienada, a qual além de ser incapaz de perceber sua submissão e de se libertar desse domínio, fica presa a “bolhas” ideológicas massificadoras.

Ademais, é necessário destacar que o poder de manipulação das mídias é fundamental para a perpetuação da concepção capitalista. Tal perspectiva está relacionada à teoria da “Indústria cultural”, dos filósofos Adorno e Horkheimer, os quais afirmam que esse mercado é responsável por formar uma consciência coletiva massificada que aliena os sujeitos e impõe comportamentos a serem seguidos. A partir dessa convicção, percebe-se que os meios de comunicação utilizam de suas influências para propagar uma ideologia consumista e padronizada, em que os indivíduos perdem suas subjetividades e passam a ter uma falsa ideia de liberdade, mas que, na verdade, são guiados pelos interesses dos grupos detendores do poder midiático. Dessa forma, o domínio social desses mecanismos além de alienar a sociedade, cria uma necessidade compulsiva por novos produtos.

Logo, para que o poder de manipulação das mídias seja superado, as escolas devem combater a alienação social, mediante palestras, com a participação dos responsáveis, que mostrem a influência dos meios de comunicação na construção dos sujeitos, além de ressaltar o papel fundamental da família para combater esse domínio. Ademais, esses estabelecimentos precisam suprimir a atuação da indústria cultural, por meio de aulas que valorizem as subjetividades e exponham a atuação desse meio no comportamento social, a fim de formar cidadãos mais críticos.