O poder de manipulação das mídias
Enviada em 26/10/2021
O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), implementado durante o Estado Novo, foi um instrumento midiático que, por meio de notícias manipuladas e censuradas, buscava enaltecer a figura do presidente e a ideologia política governamental. De modo análogo a esse período, a mídia da pós-modernidade reflete em grande parte os anseios da classe mais abastada da sociedade que, através da espetacularização da violência em portais de informação, desencadeia o medo e o reforço de esteriótipos no restante do corpo social.
Primeiramente, faz-se imperioso caracterizar o medo como um instrumento midiático de manipulação da classe dominada. Isso porque, de acordo com a socióloga brasileira Vera Malaguti, ele mantém o corpo social sob controle daqueles que se oferecem para lidar com a situação e, assim, legitimar políticas autoritárias. Do contrário, a sociedade teria condições o suficiente para tomar decisões nas quais as vontades da massa prevaleçam sobre as da elite burguesa e gozadora de privilégios.
Outrossim, é fundamental apontar a relação entre o conteúdo disseminado pela mídia brasileira e a manutenção do racismo na sociedade, visto que aquela é encabeçada por empresas em grande parte lideradas por famílias com valores ideológicos bem definidos, logo explora-se a violência presente nas periferias para, assim, criar no ideário social a ideia de que todo cidadão preto e pobre é um potencial ladrão ou assassino. Tal situação tem forte ligação com as raízes coloniais deixadas no processo de exploração do país, quando o homem negro sempre foi visto como inferior ao colonizador branco e afortunado.
Portanto, para combater a manipulação midiática, é mister que o Ministério da Educação, por meio de alterações na grade curricular dos docentes, forme cidadãos com consciência crítica e despidos de preconceito.