O poder de manipulação das mídias

Enviada em 25/10/2021

A Teoria da Tripartição dos Poderes foi criada por Montesquieu em meio à busca iluminista por uma alternativa ao Antigo Regime Absolutista. De acordo com o pensador, a redistribuição do poder regente nos âmbitos judiciário, executivo e legislativo possibilitaria o equilíbrio da responsabilidade governamental pelos rumos de uma nação, já que ‘‘só o poder freia o poder’’. Contudo, na contemporaneidade, o conceito de um quarto poder foi criado frente a sua grande influência sobre as decisões nacionais de uma sociedade democrática: a mídia.  Diante disso, torna-se pertinente a reflexão acerca do seu poder de manipulação quando analisado o seu papel para com a informabilidade e a repercusão que uma interferência na veracidade é capaz de tomar quando disseminada propriamente.

No que tange  ao caráter informativo concedido ao meio midiático, nota-se que o expectado relato sobre a realidade objetiva, inevitavelmente, tem a passagem pelo filtro moral de quem a redige. Como defendido por filósofos sofistas do século V a.C, a visão da verdade diante do mundo é estritamente relativa às vivências de cada indivíduo, portanto, em meio ao processo jornalístico, faz-se inerente o tratamento parcial do redator para com a informação publicada. Por esse motivo, a tomada como factual de toda e qualquer informação vinculada a um canal comunicativo se torna um ato imprudente e corriqueiro do expectador comum, que não tem a cautela de, nem diferenciar no texto noticiário o fato da opinião do autor, nem procurar pelas possíveis informações omitidas pelo mesmo.

Cabe destacar, ainda, que tal credibilidade dada à mídia comunicativa não apenas se põe a margem de pequenas influências da parcialidade do escritor, mas também na possibilidade de intervenções em maiores escalas. No livro 1984, do autor George Orwell, a tal intervenção se mostra na distorção completa da narrativa da realidade, quando o ficcional governo totalitário repassa informações que, mesmo em discondância absoluta com a vida experienciada pelo povo, é cegamente validada como factual através do Ministério da Verdade. Desse modo, observa-se a efetividade do compartilhamento de notícias falsas ou incompletas quando utilizado como mecanismo político e efetuadas de maneira abrangente e persuasiva por um grupo de interesse que obtenha dos meios midiáticos.

Em virtude dos fatos mencionados, pode-se afirmar que a democratização da informação se torna necessária para o desmantelamento do atual sistema midiático, que detém o monopólio da narrativa da realidade. Isso posto, cabe à sociedade a execução tal sociabilização e recuperação dos meios de comunicação através da criação de núcleos virtuais de informação, onde relatos se coincidam para a construção coletiva dos eventos presenciados no dia a dia de todos os cidadãos.