O poder de manipulação das mídias

Enviada em 26/10/2021

Na trilogia “Jogos Vorazes”, é possível observar uma distopia marcada pela opressão midiática exercida pela capital, Panem, sobre os demais distritos. Pois, com o intuito de evitar futuras rebeliões, o governo promove, anualmente, jogos nos quais os jovens recrutados são forçados a assassinarem uns aos outros em transmissão televisiva pública. Dessa forma, a ficção se aproxima da realidade à medida que casos de controle e manipulação, tais quais o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, morto nas dependências do Destacamento de Operações de Informações (DOI- Codi), ocorrem também no Brasil. Assim, faz-se necessária a promoção da educação interpretativa dos espectadores e a existência de leis que resguardem o público de abusos propagandísticos e falsas notícias.

Em primeiro plano, é fundamental que os receptores dos conteúdos estejam aptos a interpretar e julgar as informações que chegam até eles por meio da mídia. Desse modo, o filósofo Mário Sérgio Cortella, em seu texto “A mídia como corpo docente”, afirma que esse setor desempenha um papel formador no percurso educacional de crianças e jovens, podendo atuar de maneira positiva ou não nesse processo à medida que as transmissões se adequam ou diferem daquilo considerado ideal à cada faixa etária. Logo, é imprescindível a atuação das instituições escolares e das famílias na seleção das produções midiáticas aos quais os infantes terão acesso e na realização de diálogos que os orientem em relação à convivência com essas tecnologias, evitando a manipulação desse grupo frágil.

Além disso, devem existir, no âmbito constitucional, leis que protejam o público de desvios de conduta cometidos pelos setores de comunicação. Pois, ao passo que a mídia veicula determinadas informações, o bom funcionamento de intituições democráticas e o bem-estar da sociedade podem ser afetados. Um exemplo disso ocorreu durante as eleições americanas de 2016, quando, com auxílio da empresa Cambridge Analytica, o eleitorado estadounidense foi alvo de “fakenews” em redes sociais, como o Facebook, o que culminou em interferência e em violação desse processo. Nesse sentido, os governos de outros países, como o Brasil, iniciaram a elaboração de projetos que evitem esses acontecimentos.

Portanto, é importante que haja um debate ativo, na sociedade, a respeito do poder das mídias, visando sua diminuição. Para que isso ocorra, as escolas devem promover palestras, ministradas por psicopedagogos e publicitários, direcionadas às famílias e aos alunos, objetivando a formação de formação de receptores ativos de conteúdo, que julgam e interagem com a informação. Ademais, o Governo Federal deve continuar regulamentando, por meio de leis, propagandas que envolvam, por exemplo, o consumo infantil e o uso de tabaco, resguardando, assim, os cidadãos.