O poder de manipulação das mídias

Enviada em 26/10/2021

O “Mito da Caverna trata da importância de conhecer a realidade para chegar à criticidade. Hoje, pode-se relacionar a alegoria de Platão com o poder de manipulação das mídias, que aliena os indivíduos desde os atos até os pensamentos. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um complexo problema, que se enraíza no consumismo e na supremacia de interesses mercadológicos.

Dessa forma, em primeira análise, a cultura do consumo é um desafio presente no problema. Segundo Zygmunt Bauman, o consumismo é “uma fonte compensatória” para obter prazer. Tal compensação gera, além de uma felicidade momentânea, a vulnerabilidade dos consumidores, visto que se tornam muito mais suscetíveis à alienação das mídias de massa, no consumo tanto de produtos, quanto de ideologias. Assim, é preciso que as pessoas busquem outras formas de satisfação para que o problema seja resolvido.

Além disso, vale ressaltar que a priorização de interesses financeiros influencia fortemente o problema. Para Orwell, “a massa mantém a marca, a marca mantém a mídia, e a mídia controla a massa.” Tal visão aponta para a influência do capital no poder de manipulação das mídias, já que é um dos principais fatores impulsionantes desse problema, devido à sobreposição dos interesses mercadológicos. Assim, é urgente que a lógica capitalista seja substituída pela ética midiática.

Portanto, é indispensável intervir sobre o problema. Para isso, a Netflix deve criar um documentário, por meio da divulgação dos impactos do consumismo no poder de manipulação das mídias, a fim de reverter a mentalidade do consumo exacerbado. Tal ação pode, ainda, ser divulgada nas redes sociais da empresa de “streaming”. Paralelamente, é preciso intervir sobre a priorização de interesses financeiros presente no problema. Dessa forma, a alegoria da caverna poderá continuar a ser um mito apenas.