O poder de manipulação das mídias

Enviada em 26/10/2021

Durante o período histórico da Idade Média, a Igreja Católica detinha o controle sobre as massas. Nesse contexto, ela decidia sobre que conhecimentos seriam disseminados ou censurados e assim a percepção da realidade se dava através de seus preceitos. Hodiernamente, no mundo sobrecarregado de informação, a mídia tem a função de ligar as pessoas aos acontecimentos. Contudo, esse papel atribui grande responsabilidade e poder aos veículos de comunicação, que podem, como a Igreja no passado, selecionar e apresentar os fatos de forma a manipular as pessoas de acordo com seus interesses. Há, portanto, dois pontos principais nesse debate: o lucro da imprensa em detrimento da informação e a terceirização do pensamento por parte da audiência.

A princípio, nota-se que a classe comunicativa, em alguns casos, tende a priorizar o lucro obtido pela audiência recebida em detrimento do objetivo profissional de informar. Nessa lógica, assuntos que pareça atrair o interesse do público são moldados como espetáculos para proporcionar capitalização. Como prova das consequências tóxicas dessa prática, o documentário “Quem matou Eloá?” responsabiliza, em parte, a cobertura midiática pelo fim trágico da jovem que foi mantida refém em seu apartamento pelo ex-namorado. Isso porque a rede televisiva romantizou o crime e chegou a conversar com o sequestrador em TV aberta, durante as negociações, sem autorização da polícia. Portanto, fica claro que o sensacionalismo usado no jornalismo para manipular a atenção da população visa o lucro acima de possíveis danos como a morte de Eloá.

Ademais,  o próprio público expectador tem responsabilidade pelo poder de manipulação da mídia pois se permite ser moldado pela realidade veiculada. Consonante a isso, o cientista político e jornalista Leonardo Sakamoto afirma que na sociedade atual a prática da terceirização do pensamento é cada vez mais comum. Essa lógica consiste na falta de esforço dos cidadãos de pesquisar sobre os fatos e processar uma perspectiva própria, ao invés disso tendem a apenas aceitar a visão veiculada tornando a opinião pública extremamente maleável. Portanto, a audiência se permite ser manipulada, atribuindo ainda mais poder aos veículos de comunicação que podem usar isso a serviço de seus interesses.

Em suma, a mídia tem grande poder de manipulação das massas e isso é perigoso para a sociedade. Para contornar isso, o Ministério da Justiça não deve permitir que a segurança dos cidadãos seja posta em risco como no caso de Eloá, através de investigações sobre interferências abusivas da mídia visando a proteção da integridade dos envolvidos. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação estimule o senso crítico da juventude, aplicando programas de debate dentro das escolas fomentando a formação de opinião visando a criação de uma geração dificilmente manipulável.