O poder de manipulação das mídias

Enviada em 26/10/2021

Criada durante o Renascimento, a prensa de Gutenberg revolucionou a modernidade ao permitir a divulgação de informações utilizando a escrita, sendo, por isso, considerado um dos criadores da imprensa. Seis séculos depois, à medida em que o papel de outrora é cada vez mais substituído pela televisão e “internet”, o poder de manipulação das mídias também desponta. Nesse sentido, duas são as consequências de tal crescimento: a influência na forma de pensar e na maneira de agir dos sujeitos.

A princípio, observa-se que as mídias são capazes de manipular a forma como as pessoas compreendem a sociedade em que vivem. Quanto a isso, o sociólogo Karl Marx apontou que aparelhos midiáticos são capazes de alienar os indivíduos, tornando-os acríticos em relação à realidade que os rodeia. Sob essa ótica, ao veicular propagandas que enaltecem um determinado produto, como um celular ultramoderno, a televisão e as redes sociais deixam ocultos dados acerca das condições de produção daquele utensílio. Nesse caso, o comprador é instigado a desejar o objeto sem, no entanto, ter a chance de julgar se a empresa interessada cumpre as leis trabalhistas necessárias ao bom funcionamento das comunidades, por exemplo. É oferecida, assim, uma visão parcial da realidade aos sujeitos, dos quais é tolhida a chance de enxergar as relações sociais que regem sua vivência.

Outrossim, a influência na forma de agir também faz da mídia um “corpo docente”. Cunhado pelo filósofo Mário Sérgio Cortella, tal termo faz referência ao processo no qual as famílias permitem que as crianças despendam longas horas em frente às telas, as quais passam a influenciar o comportamento dos infantes e adolescentes. Um exemplo disso pôde ser observado na forte disseminação dos desafios da Baleia Azul, que ganharam popularidade no Brasil em 2017. Neles, as pessoas eram instigadas à realização de atividade perigosas, como o suicídio. Segundo o portal de notícias G1, mortes autoprovocadas de jovens estiveram associadas à adesão ao jogo virtual supracitado. É possível notar, portanto, que os apetrechos midiáticos podem atuar como “professores”, moldando atitudes.

Em suma, para superar as consequências da manipulação midiática, deve-se atuar e dois âmbitos. Primeiro, o Ministério da Tecnologia deve evitar a alienação da população, por meio da obrigatoriedade da veiculação, junto às propagandas, de links pelos quais a sociedade civil possa acompanhar dados acerca da produção do artigo ofertado, com o fito de fomentar a criticidade. Segundo, cabe ao Ministério da Cidadania alertar os pais sobre o poder influenciador da mídia, mediante a realização de campanhas, com a participação de psicólogos, as quais abordem a importância de atentar para os efeitos da exposição excessiva dos mais jovens à televisão, por exemplo.