O poder de manipulação das mídias

Enviada em 20/12/2021

O conceito de “modernidade líquida”, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, é baseado na ideia de que as relações sociais, econômicas e de produção são frágeis e maleáveis, como os líquidos. Para o professor, as coisas estão mudando com extrema facilidade, se antes os jornais impressos detinham a maioria das informações agora o poder midiático é a principal fonte. Nesse viés, a mídia possui a capacidade de manipular os indivíduos pela maneira que escolhe liberar essas informações, e a consequência disso é o consumismo desenfreado e a redução do pensamento crítico.

A princípio, o filósofo Theodor Adorno afirma que a “cultura de massa” é um fruto do movimento de massificação cultural. Para o escritor, os elementos culturais são moldados para atender anseios do mercado capitalista. Nesse contexto, o poder de manipulação da mídia, somado a força desse mercado, seleciona e esquematiza produtos que as pessoas devem consumir, através da exposição exagerada de propagandas e anúncios que enriquecem a mercadoria ou conceito exposto para ser vendido e adotado pela população. Visto isso, o indivíduo adota para si que aquele anúncio é o melhor e o único que está disponível para compra e o detém, assim como milhares de pessoas que formam essa cultura.

Ademais, segundo o filósofo Michael Foucalt, o “corpo dócil” é aquele que pode ser facilmente manipulado e transformado aos gostos dos mecanismos de poder. Para o pensador, o ser humano pode ser moldado e modificado da maneira que o detentor de um desses mecanismos quiser. Nesse sentido, a mídia é uma ferramenta de docilização já que detém a capacidade de manipulação dos indivíduos, uma vez que seleciona e constrói a maneira que devemos receber as informações e notícias. Como consequência disso, o telespectador, que é esse corpo dócil, é demostivado a pensar de maneira crítica, pois a mídia já seleciona e transmite como devemos pensar e o que devemos achar sobre a realidade dos acontecimentos do cotidiano, além de controlar, também, nossa visão de como o mundo internacional realmente é.

É evidente, portanto, que o consumismo desenfreado e a redução do pensamento crítico são consequências do poder de manipulação da mídia. Logo, é necessário que os canais midiáticos reduzam o consumismo, através da diminuição do conteúdo relacionado a propagandas e anúncios expostos diariamente nesses canais, e é preciso que haja a estimulação o pensamento crítico do indivíduo, através da exposição de informações imparciais sem subjetividade e marca de opnião. Tudo isso, para que o telespectador possa construir sua própria interpretação dos fatos apresentados e torne-se um sujeito mais crítico, além de ser capaz de escolher o produto que achar melhor sem a manipulação da cultura de massa que a esses canais provocam.