O problema da violência nos estádios de futebol brasileiros

Enviada em 07/11/2025

No filme Uma Noite de Crime, o prefeito da cidade distópica de Nova York permite, durante uma madrugada, a prática de qualquer tipo de crime na cidade, promovendo uma espécie de catarse popular por meio da violência. Fora da ficção, no entanto, nos estádios de futebol no Brasil acontece um fenômeno parecido entre os torcedores, devido à crescente agressividade dentro deles. Isso ocorre por causa da fraca segurança disponibilizada nas arenas esportivas e de uma cultura machista incentivada na modalidade. Logo, cabe analisar possíveis caminhos para mitigar o problema da violência nos estádios de futebol brasileiros.

Primeiramente, nota-se uma precária segurança nos estádios de futebol em solo nacional. Segundo dados da Agência Senado, em 2019 foram registradas 160 situações violentas nos estádios. Não obstante, no período de 10 anos — de 2009 a 2019 — foram contabilizadas cerca de 157 mortes no Campeonato Brasileiro. Esse cenário evidencia uma forte falta de fiscalização nas arenas, resultando em um contexto fértil para infrações que colocam em risco milhares de vidas, instaurando um clima de total insegurança e hostilidade dentro dos locais esportivos.

Além disso, essa agressividade é fruto também de uma cultura machista que permeia o futebol. De acordo com Pierre Bourdieu, o machismo, assim como outras formas de opressão, apresenta-se de maneira simbólica. E, atualmente, uma das formas mais associadas à masculinidade na sociedade é o futebol, o que justifica a dinâmica violenta dentro dele, já que ainda a masculinidade está atrelada à truculência e à virilidade na nossa civilização.

Portanto, o Governo Federal deve criar, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, novas regras de fiscalização em locais esportivos — como a proibição de bebidas alcoólicas e outras substâncias dentro dos estádios — como também aumentar o monitoramento de câmeras, criando sistemas de vigilância mais eficientes. Ademais, promover campanhas, por meio da mídia e nos próprios estádios, que incentivem uma mudança de associação do futebol com a masculinidade violenta. Assim, os estádios podem se tornar um espaço para uma catarse coletiva de afetos emocionais saudáveis.