O problema da violência nos estádios de futebol brasileiros

Enviada em 19/06/2024

Em sua obra “Viva o povo brasileiro", o escritor Ubaldo Ribeiro afirma o futebol é uma paixão nacional, ora excitante, ora cruel. Ao transpor a ficção, percebe-se que a obra exemplifica a realidade, uma vez que a violência nos estádios de futebol representa um desafio no território nacional. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência estatal e a cultura da violência impulsionam tal problemática.

Diante desse cenário, nota-se a inoperância governamental como fator agravante no cenário da violência nos estádios. De acordo com dados da Universo, na última década, mais de 150 mortes em torcidas de futebol foram registradas no Brasil. Assim, no contexto hodierno, a passividade do Estado distancia a população do direito constitucional à segurança, ao passo que a falta de programas efetivos de proteção nos estádios agrava o problema. Dessa forma, as agressões perdurarão de forma sistemática e o direito à segurança será apenas efetivo no “papel”.

Ressalta-se, ademais, que a cultura da agressividade na sociedade potencializa esse cenário. Nesse viés, segundo Marilena Chauí, filósofa brasileira, o mito do homem cordial dificulta reconhecermos o óbvio: o Brasil é um país historicamente violento. Diante de tal exposto, explica-se o motivo de termos mais de 40 mil homicídios no ano de 2022, conforme o Ministério da Justiça. Em decorrência disso, esse comportamento social se manifesta em diversos campos da sociedade, como por exemplo, no futebol. Dessa forma, é imprescindível combater tal cultura, visto que é uma das causas da situação apontada.

Diante do exposto, denota-se a urgência de propostas governamentais que alterem esse quadro. Portanto, cabe ao Estado - em sua função de promotor do bem-estar social – criar politicas efetivas de combate a agressões no ambiente futebolístico, mediante campanhas midiáticas voltadas aos torcedores, e penas mais severas, com a finalidade prevenir e punir agressores entre torcedores. Por fim, à luz de Ribeiro, poderemos superar tal crueldade historica que se apresenta na “paixão nacional”.