O problema da violência nos estádios de futebol brasileiros
Enviada em 20/06/2024
Na obra “O constitucionalismo Brasileiro Tardio”, o escritor Manuel Jorge constata que a ausência de cultura constitucional conduz à ineficácia social dos textos constitucionais. Esse cenário é presente na realidade brasileira quando se trata do problema da violência nos estádios de futebol. Esse quadro nefasto ocorre não só em razão da negligência governamental, mas também da indiferença da sociedade.
Percebe-se, a princípio, que a débil ação do poder público possui íntima relação com o revés. Diante dessa conjuntura, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado deve atuar para materializar as normas da sociedade na qual ela está inserida. Conquanto, essa insuficiência do aparato institucional em garantir a segurança dos torcedores e a aplicação do estatuto do torcedor, fragiliza um direito garantido na constituição, o direito ao lazer. Nesse contexto, segundo dados da Agência Senado, em 2019, houveram mais de 150 confrontos violentos entre torcidas nos jogos do campeonato brasileiro. Logo, torna-se substancial a mudança desse quadro.
Ressalta-se, ademais, que a impassibilidade social contribui para a persistência da violência nos estádios. Nessa lógica, o livro “Paradoxo Moral” do filósofo Vladmir Jakelé serve para exemplificar a passividade das pessoas perante os impasses vividos pelo próximo. Analogamente, percebe-se que a violência nos estádios encontra um forte alicerce na estagnação da sociedade, que naturaliza comportamentos de rivalidade e atos de violência. Nessa perspectiva, a mudança de comportamento social é vital para superar este paradigma.
Depreende-se, portanto, que é fundamental a atuação governamental para acabar com a violência nos estádios. Em vista disso, o Governo Federal, responsável por administrar a população e os interesses públicos, deve, promover campanhas, nos intervalos dos jogos de futebol, com o propósito de conscientizar os frequentadores dos estádios, das consequências dos comportamentos violentos e assim amenizar o problema. Só assim , os brasileiros terão uma sociedade mais justa e igualitária, onde os direitos são respeitados, inclusive o direito ao lazer.