O problema da violência nos estádios de futebol brasileiros

Enviada em 25/07/2024

Em 1948, a Organização das Nações Unidas promulgou uma das leis mais relevantes da história recente:a Declaração Universal dos Direitos Humanos, cujo conteúdo garante o direito à segurança.Entretanto, a violência nos estádios impede que as vítimas vivenciem o direito assegurado pela ONU.Assim, pressupõe-se que se combata a insuficiência de discussões e a negligência estatal.

A princípio, é fulcral atentar para a insuficiência de discussões sobre a invisibilidade da violência nos estádios.Nesse sentido, o filósofo Habermas alegava que a linguagem é uma verdadeira forma de ação, ou seja, discutir um problema é um meio de enfrentá-lo.Sob essa lógica, é notável que as agressões sofridas pelos torcedores é uma pauta silenciada, pois uma grande parte da população brasileira não tem conhecimento do assunto, já que tais informações não são disseminadas pelos grandes meios de comunicação.Logo, evidencia-se o silenciamento como um desafio que deve ser combatido.

Ademais, vale ressaltar a negligência governamental como um dos desafios do imbróglio.Sobre isso, Norberto Bobbio defendia que as autoridades públicas detêm dupla função: não apenas prever direitos no texto da lei, mas também assegurar que os cidadãos usufruam desses benefícios na prática.Todavia, a ideologia de Bobbio representa uma utopia no Brasil, haja vista a falta de punição dos infratores que cometem esse crime.Dessa maneira, enquanto a insuficiência estatal for a regra, o direito à segurança será exceção.

Portanto, faz-se necessária uma intervenção.Para isso, o Ministério da Segurança e as escolas-responsáveis pela transformação social-devem discutir a invisibilidade social das agressões nos estádios, por meio de projetos sociais, como aulas e palestras.Essa iniciativa terá a finalidade de solucionar a omissão governamental e de garantir que o conceito defendido pela ONU seja, em breve, realidade no Brasil.