O problema da violência nos estádios de futebol brasileiros
Enviada em 06/08/2024
Na obra “Utopia” é retratada uma sociedade perfeita na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Fora da narrativa, fica claro que tal conjuntura não faz parte da realidade brasileira atual, haja vista que a violência nos estádios brasieliros se faz cada dia mais presente na sociedade e dialoga com práticas segregacionistas. Dentro desse contexto, há dois fatores que devem ser considerados: a falha na educação familiar e a omissão das mídias.
Sob esse viés, é válido destacar que a falha na educação familiar contribui para a temática. A partir desse raciocínio, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, no conceito “Banalidade do mal”, as pessoas estão normalizando os comportamentos antiéticos, as más condutas e atitudes. Todavia, em consequência dessas falhas na infraestrutura, o tópico se acentua ainda mais na sociedade e fragiliza o corpo social, dado que a família transmite valores e comportamento que posteriormente serão refletidos na sociedade. Em resultância disso, se esse núcleo tem condutas violêntas, isso será reproduzido e acentuará o imbróglio.
Outrossim, a questão está vinculada com a omissão das mídias. Com isso, fundamenta-se o pensamento do sociólogo Pierre Bordieu, no termo designado “Violência Simbólica”, em que o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, a cobertura midiática foca somente nas conquistas e o lado agradável das torcidas, desconsiderando e omitindo, muitas vezes, brigas, confrontos e até mesmo mortes, como é o caso de Rafael Merenciano, torcedor do Corinthians que foi morto após ser atingido por um rojão.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar o quadro contemporâneo. Em razão disso, cabe ao governo federal, responsável pela implementação de políticas públicas, promover ações concretas e efetivas para enfrentar esse problema, por meio de campanhas em meio midiático, com o intuito de alertar a população sobre as consequências que tais condutas podem trazer para alterar o bom funcionamento da sociedade. Para, somente assim, proporcionar uma realidade similar com a que foi exposta na obra “Utopia”.