O problema da violência nos estádios de futebol brasileiros

Enviada em 02/11/2024

Na obra “O Constitucionalismo Brasileiro Tardio”, o escritor Manuel Jorge cons-tata que a ausência de cultura constitucional conduz à ineficácia social dos textos constitucionais. Para o autor, o Brasil é estruturado formalmente pela Constituição Federal; todavia, na prática, os direitos por ela garantidos não se encontram efeti-vados. Nesse sentido, esse cenário é presente na realidade brasileira, visto que o problema da violência nos estádios de futebol brasileiros é circunstância impeditiva da efetividade dos textos da Carta Magna. Esse quadro nefasto ocorre não só em razão da negligência governamental, mas também da indiferença da sociedade.

Percebe-se, a princípio, que a débil ação do Poder Público possui íntima relação com o revés. Diante dessa conjuntura, segundo o filósofo contratualista Thomas Hobbes, o Estado deve atuar para materializar as normas da sociedade na qual ele está inserido. Nesse viés, o equívoco eclode no erro de se acreditar que tal premis-sa é assegurada com eficiência em todos os segmentos do corpo social. Nessa lógica, essa insuficiência do aparato institucional no atendimento às demandas da nação permitem a manutenção da violência no futebol, o que afasta o público dos estádios, e causa prejuízo aos clubes. Por isso, é essencial buscar uma solução.

Ressalta-se, ademais, que a impassibilidade social contribui para a persistência da violência no esporte mais popular do país. Nesse contexto, o intitulado “Parado-xo da Moral” é um livro escrito pelo filósofo francês Vladimir Jankélévitch para e-xemplificar a cegueira ética do homem moderno, ou seja, a passividade das pesso-as frente aos impasses enfrentados pelo próximo. Analogamente, percebe-se que a impunidade a esses criminosos, que na maioria das vezes pertencem às torcidas organizadas, encontram um forte alicerce na estagnação social. Essa situação ocorre porque, infelizmente, a sociedade não se movimenta em prol da erradica-ção dessa problemática; pelo contrário, adquire uma posição individualista.

Depreende-se, portanto, que é mister a atuação governamental no problema. Então, o Governo Federal, responsável por administrar o povo e os interesses pú-blicos, deve colocar reconhecimento facial nos estádios, mediante a instalação de câmeras, com o propósito de impedir a circulação de pessoas com histórico de brigas nos dias de jogos. Assim, o torcedor poderá desfrutar do seu time em paz.