O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 29/09/2019

Em junho de 2018, os países do Mercosul discutiram medidas para evitar a reintrodução de doenças  como sarampo, pólio, difteria e tétano na América do Sul. Com isso, nota-se o perigo do reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil. No entanto, a causa para esse retorno é bastante simples:a baixa imunização por parte da população brasileira.

Em primeiro lugar, deve-se atentar aos alarmantes números de de pessoas imunes. Cerca de metade das crianças entre 0 e 1 ano de vida não estão vacinadas quanto ao vírus da poliomielite. Bem como, a baixa adesão às vacinas tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e tríplice bacteriana (difteria, coqueluche e tétano) são preocupantes. Além disso, a baixa taxa de vacinação pode ser atrelada à crise humanitária na Venezuela que, com massiva vinda de imigrantes para o Brasil, causou maior circulação dos vírus e bactérias causadoras de doenças presentes em seu país de origem, sobretudo na região Norte.

Em segundo lugar, é preciso observar as causas para esse baixo acatamento às políticas de vacinação. Dentre tantas, podemos citar a falta de conhecimento sobre as doenças consideradas erradicadas, pois com a falta de recorrência delas, tem-se a falsa impressão de que não são perigosas o suficiente para causar preocupação. Ademais, a divulgação de notícias falsas em redes sociais acerca da eficiência das vacinas ou suposta contaminação pelo microrganismo é outro fator que afeta a receptividade da vacina. Ainda, outro fator são os horários limitados de funcionamento dos postos de saúde, que, por funcionarem em horário comercial, acabam por não atender trabalhadores locados distantes de suas moradias.

Com isso, percebemos a importância da imunização da população para a manutenção dessas doenças erradicadas. Desta forma, esse feito só será realizado através do fortalecimento de campanhas, ressaltando a gravidade dessas doenças, a importância da vacinação e a obrigatoriedade da vacinação infantil, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente. Do mesmo modo, deverá ser autorizada a vacinação fora do posto responsável pelo perímetro residencial, atendendo à população que trabalha distante de sua moradia. Assim como, a vacinação infantil do escolar deve ser realizada em ambiente escolar, garantindo às crianças seu direito constitucional à vacina.