O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 03/08/2018
Com advento da Segunda Revolução Industrial, no século XIX, ocorreu o desenvolvimento tecnológico da indústria farmacêutica, impactando a qualidade de vida das sociedades. No entanto, apesar do avanço da medicina possibilitar a erradicação de doenças que antes assolavam os indivíduos, por meio das vacinas, cresce o número de epidemias no Brasil. Entre as causas, percebe-se a propagação de boatos ligados à vacinação, tornando-se um empecilho no controle de doenças e gerando consequências à sociedade.
Nesse contexto, o compartilhamento de notícias falsas dificulta a redução das epidemias no país. O simples ato de repassar a amigos e familiares mensagens sobre os efeitos adversos causados pela vacinação nos aplicativos de interação social, como o ‘‘Twitter’’ e ‘‘Facebook’’, é uma atitude comum de indivíduos que desconhecem a segurança no processo de produção dos soros imunizantes. Desde a Revolta da Vacina, durante o governo Pereira Passos, evidencia-se tal comportamento, pois havia a disseminação da ideia de que as vacinas eram a própria propagadora de doenças, como medida de controle da população. Assim, percebe-se a preservação de questões socioculturais, uma vez que se mantém a propagação de informações levianas, favorecendo o reaparecimento de epidemias erradicadas.
Por conseguinte, a manutenção desse hábito impacta a expectativa de vida dos cidadãos. O fato de as famílias não levarem seus filhos aos postos de saúde e a baixa procura por vacinas favorece a propagação de doenças. Isso ocorre porque, de acordo com a literatura médica, o sistema imunológico do indivíduo não entrou previamente em contato com o vírus atenuado, proporcionado pela vacina, dificultando o mecanismo de defesa do organismo. Dessa forma, os cidadãos ficam mais suscetíveis a doenças e epidemias antes erradicadas, aumentando os gastos do governo com a saúde pública, pois, sem a devida prevenção e instrução da população, é necessário fornecer o tratamento.
Nessa perspectiva, a disseminação de boatos nas redes de comunicação favorece o reaparecimento de epidemias erradicadas na sociedade brasileira. Portanto, cabe ao Estado criar propagandas que desmintam as notícias ‘‘fakes’’ relacionadas à vacinação, por meio de vídeos feitos por profissionais especializados da área da saúde, como médicos, explicando a segurança da prevenção, a fim de estimular a ida aos postos de saúde e possibilitar o controle de epidemias. Outrossim, é necessário que as instituições educacionais promovam palestras de saúde, pois são fundamentais para evidenciar a importância das vacinas, por intermédio de debates semestrais em aulas, com o intuito de estimular a imunização e desacreditar os boatos criados sobre esse assunto.