O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 04/08/2018
A revolta da vacina, um dos movimentos sociais da República Velha brasileira, ocorrida no século XX foi um marco histórico gerado pela insatisfação populacional com a política vigente. Análogo à isso, percebe-se atualmente movimentos semelhantes à esse, visto que alguns cidadãos resistem à vacinação. Contudo, a automedicação também é uma realidade persistente no país, o que agrava situações de doenças erradicadas reaparecendo, logo é preciso mudanças políticas e educacionais no cenário.
Em primeira análise, deve-se pontuar que já afirmava o sociólogo Talcott Parsons, que a família é uma máquina que produz personalidades. Sob essa ótica, o contexto familiar está intrinsecamente ligado à movimentos antivacina, pois doenças que deveriam ser prevenidas estão cada vez mais gerando óbitos, principalmente de crianças. Exemplo disso, são dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde afirmando que a cada 5 crianças, apenas 4 vacinam-se no mundo. Logo, a ignorância populacional, facilita o reaparecimento de doenças já erradicadas, como o sarampo.
Além disso, é preciso ressaltar que o uso indiscriminado de antibióticos também é um fator agravante, diante do combate à doenças, pois a falta investimento público na fiscalização da compra de remédios acaba perpetuando o uso errôneo dos mesmos. Sendo assim, a seleção de superbactérias como as causadoras de sífilis, por exemplo, impede o efetivo controle dessas doenças. Dados informados pelo site Fortíssima, em 2016, exemplificam esse entrave, pois afirma-se que entre 2005 e 2014 foram registrados assustadores 100 mil casos de sífilis em grávidas brasileiras.
Diante dos fatos supracitados, espera-se a consonância entre Estado e Ministério da Educação, tendo em vista o subsídio de palestras, ministradas por enfermeiros, em todas as instituições de ensino, no intuito de informar pais e alunos sobre a importância da vacina. É preciso ainda que a União utilize-se da probidade administrativa e invista financeiramente nos setores de fiscalização de farmácias, evitando à venda de remédios sem receita. Ademais, a mídia deve divulgar campanhas de conscientização à vacinação.