O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 06/08/2018

Direito salutar

Segundo a atual Constituição brasileira, a saúde e o bem-estar da população configuram-se como um direito social de todos os cidadãos. Entretanto, ao analisarmos o reaparecimento de de doenças previamente erradicadas no Brasil, fica evidente que, infelizmente, esse direito não é experimentado por todos. Nesse sentido, faz-se necessário avaliar os fatores sociais e econômicos que sustentam esse cenário.

Em primeiro plano, pode-se destacar a falta de informação e conscientização populacional com relação à saúde pública. Nesse contexto, uma grande parte da sociedade não tem conhecimento sobre a periculosidade e prevenção de determinadas doenças. Dessa forma, muitas pessoas não apresentam o hábito de se vacinar, seja por falta de conhecimento, seja por convicções próprias, assim como ocorre nos atuais movimentos anti-vacina. Esse movimento iniciou-se baseado em estudos do médico Andrew Wakefield, os quais associam o uso de vacinas com o desenvolvimento de autismo. No entanto, apesar de largamente disseminados nas redes sociais, tais estudos não apresentam qualquer comprovação científica. Como conseguinte, diversas famílias optam pela não vacinação de seus filhos, de forma a expô-los a diversas doenças graves e altamente transmissíveis, colocando em risco sua saúde e possibilitando o reaparecimento de doenças já controladas.

Juntamente a essa situação, vale ressaltar a interferência do atual modelo de desenvolvimento econômico. Nesse sentido, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, as relações da sociedade pós-moderna tornam-se cada vez mais líquidas, em que há o predomínio do individualismo e o intenso ritmo de mudanças. Essa atual conjuntura gera nos indivíduos elevado nível de estresse, além de aumentar a possibilidade de desenvolvimento de transtornos emocionais e psicológicos, fatores diretamente relacionados ao sistema imunológico. Dessa maneira, a imunidade dos indivíduos tende a diminuir, tornando-os mais suscetíveis a ação dos agentes patogênicos, os quais sofrem constantes mutações - alterações no material genético - podendo desenvolver resistência aos métodos de prevenção e transmitindo, novamente, as doenças.

Torna-se evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para contornar esse cenário. Nesse contexto, a mídia deve promover uma melhor disseminação de informações, por meio de projetos e campanhas publicitárias que abordem o tema do reaparecimento de doenças de maneira eficiente e instrutiva, a fim de conscientizar a população sobre a necessidade de prevenir essas enfermidades. Dessa maneira, será então possível garantir o direito à saúde a todos.