O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 11/08/2018

Catálise social

Em seus estudos, o sociólogo alemão Max Weber defende que o processo de entendimento da realidade social seria possível por meio da compreensão das ações dos indivíduos. Sob essa ótica, a questão do reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil exige uma discussão mais ampla, haja vista que a problemática permanece intimamente relacionada à conjuntura social do país, fruto da inobservância governamental e da falta de protagonismo popular. Nessa perspectiva, é conveniente analisar as principais consequências de tais fatores para a sociedade.

Em primeiro plano, é indiscutível que a negligência governamental contribua negativamente no problema. Isso ocorre porque, apesar de já ter tido um programa de saúde nacional para a erradicação de doenças como o sarampo, a poliomelite, a dengue e a febre amarela, tais enfermidades voltaram à ameaçar o país. Nesse sentido, tal contexto é resultado direto da queda na cobertura vacinal e do enfraquecimento das práticas de combate, visto que a escassez de vacinas em muitos postos de saúde aumentou de forma significativa.

Outrossim, vale ressaltar que a falta de participação popular favorece a continuidade do impasse. Tal fato decorre porque segundo Sócrates, os erros são consequência da ignorância humana. Logo, cabe salientar que o desconhecimento acerca do processo de imunização e da importância das vacinas para a prevenção de doenças virais contribui de forma considerável para aumentar a possibilidade de reaparecimento de algumas doenças que já tinham sido eliminadas do território brasileiro, fato que preocupa autoridades sanitárias e profissionais de saúde.

Destarte, é imprescindível que Estado e mídia atuem para que tais desafios sejam superados. Para tanto, é imperativo que a Receita Federal direcione uma parcela maior dos impostos arrecadados que, por intermédio do Ministério da Saúde, será revestido na produção de vacinas e na posterior promoção de um programa de vacinação nacional mais eficiente, a fim de mitigar a disseminação de doenças como a febre amarela e o sarampo no território. Ademais, a mídia, em parceria com OGNs, deve atuar por meio da distribuição de cartilhas e de campanhas televisivas, transmitidas em horário nobre, destinadas à população, com o objetivo de não só sensibilizar os indivíduos acerca da importância da vacinação, como também incentivar a participação de forma mais íntegra nesse processo. Assim, Estado e mídia poderão atuar como catalisadores, contribuindo para aumentar a velocidade da reação social de combate à problemática.