O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 13/10/2018
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, garante a todos os indivíduos o direito a saúde e bem-estar social, defendendo a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, é notório que parte da população canarinha, é impossibilitada de exercer esse direito na prática, tendo em vista que a baixa cobertura vacinal, aliada a falta de empatia da população e a inoperância de políticas públicas, corroboram para o reaparecimento de doenças erradicadas no país.
A princípio, em 1904, o Rio de Janeiro - RJ se encontrava em estado de calamidade, sem saneamento básico e devido ao aglomerado de pessoas, diversas epidemias se espalhavam, sendo a principal a varíola. Como medida paliativa, o governo tornou a vacinação obrigatória. Entretanto, grande parcela da população não compreendia os benefícios das vacinas, o que gerou revolta entre os habitantes. Nesse ínterim, hodiernamente, a vacinação continua a ser a principal ferramenta de prevenção e combate de doenças. Entretanto, os atuais movimentos antivacinação, que se espalham sem nenhuma base científica, comprometem o bem estar da população. Por conseguinte, o ato de não vacinar deixa de ser uma decisão pessoal e pode ser considerado um ato de responsabilidade coletiva, já que compromete o bem estar da população. Nesse sentido, o escritor Paulo Leminski, ao dizer que “em mim eu vejo o outro” relata o oposto do que se presencia no cenário brasileiro atual. Sendo assim, a população ao seguir a premissa de Leminski e se colocar no lugar do outro, com mais empatia, atenuaria o problema.
Ademais, é inegável que a insuficiência de estratégias estatais contribui com o problema. Visto que, a política nacional garante a população o progresso em direitos sociais e econômicos, porém essa política não tem sido o suficiente, já que o desabastecimento de vacinas essenciais nos postos de saúde e a falta de recursos municipais para a gestão de programas de vacinação, influenciam a disseminação de patologias. Destarte, enquanto o poder público não cumprir seu dever constitucional, de garantir vacinas e dignidade social para as pessoas que necessitam, a população tupiniquim será obrigada a conviver com um dos maiores transtornos da pós-modernidade: o retorno de doenças.
Somando-se aos aspectos supracitados, faz-se necessário, que o direito a saúde seja assegurado na prática, como delineia a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sendo assim, o Ministério da Saúde, em parceria com o IBGE, deve fazer uma análise das principais cidades do país afetadas e que possuem os menores índices de vacinação, criando estratégias que busquem uma maior adesão da população, estendendo os horários de atendimento durante a semana. Além disso, as campanhas de vacinação devem ser ampliadas, mostrando a importância da vacinação e a segurança desse instrumento de imunização, a fim de reduzir casos de emersão de doenças.