O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 12/08/2018
Dito fora, pelo médico e escritor Drauzio Varella que “A saúde como direito de todos e dever do Estado é uma demagogia e ainda tira a responsabilidade dos cidadãos sobre o próprio bem-estar’’. Por conseguinte, muitas pessoas não dedicam-se à sua própria saúde, as vacinas fornecidas pelo Estado gratuitamente, através do Sistema Único de Saúde (SUS) estão cada vez sendo menos procuradas. Ao passo que, fatores sociais e socioeconômicos contribuem com a propagação de doenças, por consequência diversas destas consideradas controladas ou até mesmo erradicadas estão reaparecendo no Brasil e no mundo, urgindo a necessidade de atenuar o problema.
Em 1904, o Rio de Janeiro - RJ se encontrava em estado de calamidade, sem saneamento e devido ao aglomerado de pessoas, diversas epidemias se espalhavam facilmente, sendo a principal a varíola. Como medida paliativa o governo tornou a vacinação obrigatória, entretanto muitas pessoas não compreendiam os benefícios da vacina o que gerou revolta entre os habitantes. Por analogia, atualmente vem se espalhando um movimento anti vacinação, que mesmo sem nenhuma base científica, está se amplificando e contribuindo para o reaparecimento de doenças erradicadas. Apesar de não ser tão grande entre a população canarinha, segundo a Organização Mundial de Saúde, uma a cada cinco crianças não são vacinadas, ou seja, doenças que poderiam ser prevenidas estão se espalhando, visto que, quando uma criança não é imunizada ela está suscetível a patologia, podendo transmiti-la para as pessoas que possui contato.
Outrossim, uma doença hoje erradicada, mas que dizimou um terço da população europeia durante a Idade Média foi a peste negra ou bubônica. Em suma, as péssimas condições de higiene das cidades medievais, somado as pequenas habitações, propiciou alta propagação da doença. Nesse ínterim, apesar de que em diferentes aspectos, muitas pessoas ainda se encontram em situações sem saneamento básico, quer seja, pelo descarte de lixo em locais inadequados ou esgotos a céu aberto, fatores que favorecem contágio de patologias e procriação de mosquitos, vetores de doenças como por exemplo, a dengue, que já foi controlada, mas que hodiernamente se tornou uma epidemia no país.
Somando-se aos aspectos supracitados, é imperioso tomarmos medidas para resolver essa pandemia. Inicialmente, as secretarias de saúde devem intensificar as campanhas de vacinação, em municípios onde o número de surtos são maiores. Além de reforçar a importância da vacinação no cenário brasileiro, por meio de cartazes em postos de saúde, a fim de prevenir epidemias no país. Por fim, é cabível ao Estado promover investimentos no saneamento básico, liberando recursos para programas de saneamento e políticas de planejamento urbano, que melhorarão a vivência da população.