O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 16/08/2018
Há anos o Brasil e outros países estão enfrentando problemas de saúde pública com doenças reemergentes como sarampo, coqueluche, febre amarela e malária. São descritas como infecções novas, resistentes à drogas e cuja incidência, no homem, tenha sofrido um aumento nas últimas décadas ou tenda a aumentar no futuro.
Doenças infecciosas possuem causas variadas em um contexto social, como abertura de fronteiras, falta de saneamento básico e higiene, aglomerados urbanos em condições precárias e grande fluxo migratório. Um dos principais motivos é a quebra de medidas de saúde pública, como a falta de investimento em campanhas sanitaristas, tendo como exemplo a contra dengue, que diminuiu significativamente o número de casos ao higienizar as cidades.
A importância do calendário vacinal não deve ser deixada de lado, em razão de que quando uma parte da população deixa de ser vacinada criam-se grupos de pessoas suscetíveis, facilitando a circulação dessas doenças que se multiplicam e afetam não apenas os não vacinados, mas também os que não podem ser imunizados (por não terem idade suficiente ou doenças que comprometem o sistema imunológico).
Recentemente foram publicadas reportagens no Brasil revelando um preocupante avanço do movimento antivacinação. A propagação deste grupo é dada principalmente pelas redes sociais, através de “fake news” e artigos médicos errôneos.
O medo contra vacinas ganhou dimensão na década de noventa, quando o médico britânico Andrew Wakefield publicou um artigo em um periódico científico renomado. Seu estudo forjava uma relação entre a vacina MMR (responsável por controlar as doenças citadas no início do texto e entre outras) e o autismo. Devido a informações falsas, hoje uma porcentagem significativa da população está convencida de que vacinas são a causa do autismo e entre outros problemas, aumentando assim o número de crianças não vacinadas.
O grupo de doenças discutido neste texto pode voltar a circular no Brasil caso a meta da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), que defende uma taxa de imunização de 95% na população, sobretudo de crianças, não for cumprida.
Os países devem entrar em um consenso de medidas preventivas contra doenças reemergentes, como exemplo as campanhas sanitárias, divulgação sobre estas patologias e medidas preventivas, maiores campanhas de vacinação, aumento do horário de funcionamento dos postos de saúde e entre outros.