O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 16/08/2018

A terceira geração romântica literária brasileira buscou, ainda no século XIX, denunciar os problemas sociais do país mediante a escrita. De modo análogo, hoje se faz necessário discutir sobre o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil, visto que este é um problema atual de saúde pública grave e vai de encontro ao bem-estar da sociedade, assim como às garantias legislativas vigentes. Nesse contexto, o Estado tem protagonismo descomunal na transfiguração desse cenário.

Segundo o filósofo Jeremy Bentham, algo é moralmente correto se tende a promover a felicidade e condenável se tende a produzir a infelicidade. Com base nesse pressuposto, vê-se que, hodiernamente, a moralidade estatal é condenável, pois o Governo desenvolve campanhas de incentivo à vacinação não efetivas, as quais, indiretamente, aumentam o número de enfermos no Brasil. Isso ocorre, por exemplo, com a escassez didática dessas publicidades, pois o discurso nelas não trata sobre os riscos e sintomas das doenças didaticamente, sendo muito diretas em alertar para o “vacine-se”, não para o porquê de fazê-lo, medida que facilitaria o combate às enfermidades reaparecidas no país.

Em consequência disso, a volta das doenças já eliminadas do âmbito nacional se torna alarmante. Tal receio é ratificado pela precária condição do sistema público de saúde brasileiro, pois com mais pessoas doentes, a dívida pública é ampliada, bem como a saturação dos poucos hospitais de qualidade disponíveis - causando atendimentos quando não ruins, inexistentes. Dessa forma, com o retorno de doenças como o sarampo e poliomielite, por exemplo, até mesmo crianças são afetadas. Entretanto, há uma saída desse problema: a educação. De acordo com o filósofo Arthur Lewis, essa saída nunca foi despesa, mas sempre investimento com retorno garantido.

Portanto, depreende-se que atenuar os efeitos das moléstias regressas na nação é possível por meio de investimentos no setor educativo. Diante do exposto, mediante subsídio governamental, é dever do Ministério da Educação veicular publicidades didáticas e efetivas em redes de rádio e TV, haja vista o direcionamento da informação a um público maior, as quais deverão ensinar sobre os sintomas e os riscos das doenças, bem como a importância da vacinação. Essa intervenção terá o intuito de fazer o Governo tomar, por meio da garantia prática do direito universal à saúde previsto em lei, uma medida moralmente correta, promovendo, assim, o bem-estar da população.