O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 17/08/2018
Desde o século XX, com a Revolta da Vacina no Rio de Janeiro, a importância de uma participação efetiva da administração pública na saúde da comunidade restou evidenciada. Hodiernamente, ainda é possível observar que os parâmetros de imunização e conscientização social, quanto à devida prevenção de doenças, encontram-se abaixo do esperado. Como consequência, o reaparecimento de patologias já erradicadas no Brasil exige do estado e da sociedade comprometimento e responsabilidade.
Primeiramente, omissões estatais junto às obrigações assumidas diante da constituição cidadã de 1988 – como prover saúde e educação – merecem atenção. Não raramente hospitais apresentam-se em situação de abandono, faltando medicações e infraestrutura para suprir a carência da população. O sarampo, por exemplo, antes erradicado, ameaça novamente a população, que se vê amedrontada pela falta de insumos. Ademais, a ineficiência com que o estado executa sua obrigação em prover educação de qualidade, priva de muitas pessoas a condição de desenvolver a criticidade e responsabilidade necessária para lidar com o problema.
Além disso, ainda é possível observar parcela da sociedade que, mesmo tendo educação e esclarecimento a respeito da necessidade de se imunizar e dos comportamentos profiláticos recomendáveis, irresponsavelmente não os fazem. A título de exemplo, mesmo com campanhas incentivando a vacinação, o Ministério da Saúde vem divulgando decréscimo gradual das taxas de imunização da poliomielite, que evidenciam o risco que a população e a saúde pública em geral tem corrido.
Infere-se, portanto, que o reaparecimento de doenças já erradicadas demanda do estado comprometimento com suas obrigações legais e conscientização social. Para tanto, por meio de lei específica, o estado deve reservar recursos para os insumos com a saúde. Além disso, os Ministérios da Educação e da Saúde devem se alinhar com a finalidade de promover eventos para discussões com toda a sociedade, assim como investir em propaganda de ampla difusão, com a finalidade de reforçar e esclarecer sobre a importância da prevenção e do respeito à saúde.