O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 19/08/2018

Durante o ano de 1904, ocorreu no Rio de Janeiro, a Revolta da Vacina, após o governo obrigar a população a se vacinar a fim de tentar acabar com algumas doenças que assolavam o Brasil naquela época. Atualmente, no entanto, apesar de a maioria dos cidadãos terem maior conhecimento sobre a vacinação e de sua importância na prevenção das enfermidades, tem sido cada vez mais frequente o aumento de casos de doenças consideradas erradicadas. Nesse sentido, é necessário analisar esse cenário atentando-se para as suas causas e, posteriormente, propor mudanças com o intuito de atenuar o problema.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que a baixa imunização, sobretudo, de crianças é um dos fatores responsáveis pelos surtos de tais doenças. Segundo o Ministério da Saúde (MS), a aplicação de todas as vacinas, exceto a BCG, está abaixo da meta no Brasil. Isso ocorre devido aos pais se recusarem a vacinar os seus filhos, seja por motivos religiosos, dogmáticos ou por não acreditarem em sua eficiência – fato que ganhou força após movimentos antivacinação, ocorridos nos Estados Unidos. Dessa forma, os pais apelam para a automedicação e para o uso indiscriminado de medicamentos, caso haja contração das enfermidades reemergentes, o que promove a disseminação desses agentes etiológicos.

Além disso, a falta de fiscalização de imigrantes e o descuido em relação às medidas profiláticas colaboram para a perpetuação do problema. O Brasil recebe inúmeros imigrantes ao longo do ano vindos, principalmente, de países subdesenvolvidos, onde a imunização é bem precária e, por isso há diversas epidemias virais, por exemplo. Diante disso, e da falta sensação de que certas doenças extinguiram, os brasileiros deixam algumas medidas preventivas de lado e propiciam que o vetor tenha de volta o seu lugar para reproduzir-se, e consequentemente, infectar o ser humano. Caso como esse aconteceu com a dengue e, mais recentemente, com a febre amarela, ambas com o mesmo transmissor e erradicadas no século XX.

Fica evidente, portanto, que o reaparecimento de doenças é um caso preocupante e fazem-se necessárias medidas para resolver a questão. Assim sendo, o MS deve promover palestras e debates, duas vezes por mês, em escolas e praças públicas ministrados, sobretudo, por médicos, pesquisadores e cientistas, no qual os pais possam expor a sua opinião e, em contrapartida, os ministrantes possam desconstruir a visão pessimista deles com o intuito de aumentar a taxa de crianças imunizadas. Ademais, cabem às prefeituras designar agentes de saúde para que certas medidas profiláticas não caiam no esquecimento, bem como distribuição de panfletos, além de alertar os imigrantes sobre as vacinas existentes, mantendo-os sempre atualizados com o fito de que as doenças erradicadas não reemerjam..