O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 19/08/2018
A escarlatina era uma doença considerada exclusiva do século XX, porém em 2015 ela alarmou a população do Reino Unido quando diversos novos casos foram registrados. Esse tipo de acontecimento se tornou cada vez mais recorrente em vista de uma problemática que dominou a sociedade hodierna: o reaparecimento de doenças erradicadas. Diante disso, tornam-se passíveis de discussão os principais fatores ligados ao ressurgimento dessas enfermidades, destacando, principalmente, o temor às vacinas e o desmatamento proveniente da urbanização.
No início do século XX, diversas doenças que já haviam sido controladas, tais como sarampo e varíola, voltaram a emergir no Rio de Janeiro. Por isso, o governo buscou resolver esse impasse tornando a vacinação obrigatória, fato que gerou pânico e revolta, haja vista a falta de conhecimento da população sobre o funcionamento e os benefícios da vacina. Atualmente, esse temor ainda é perpetuado visto que, segundo a Organização Mundial de Saúde, 1 em cada 5 crianças não são imunizadas. A consequência disso é o reaparecimento de patologias já erradicadas, uma vez que a imunização é imprescindível para preveni-las e combatê-las.
Além disso, a urbanização e o desmatamento corroboram o agravamento da situação. Tendo em vista que os mosquitos preferem ambientes quentes e úmidos, as florestas são seus locais preferidos. Todavia, elas estão sendo destruídas devido à urbanização e ao consequente desmatamento. Assim, os mosquitos têm de se locomover em direção às cidades, transmitindo doenças que estavam restritas às florestas e, portanto, erradicadas nas áreas urbanas. Em 2017, por exemplo, a região sudeste, a mais urbanizada ao longo dos anos, sofreu com um surto de febre amarela, enfermidade considerada extinguida há décadas.
Dessarte, cabe ao Ministério da Saúde utilizar o dinheiro que provém de impostos para produzir e distribuir cartilhas que expliquem como funciona a vacina e qual a sua importância, a fim de criar cidadãos mais informados e diminuir o tabu que circunda a imunização. Ademais, é dever do Governo Federal e de todo cidadão apoiar, por meio de doações, instituições que lutem contra o desmatamento, como o Greenpeace, com o intuito de preservar as florestas e manter os mosquitos longe das cidades, evitando epidemias. Por menor que seja a doação, se todos contribuírem o objetivo será alcançado. Quem sabe, assim, seja possível evitar o reaparecimento de doenças erradicadas.