O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 26/08/2018

Uma saúde pública de qualidade é não só algo essencial para o bem-estar do cidadão, mas também indispensável para o desenvolvimento de um país. É por meio dela que se protege a vida de inúmeros indivíduos, que dependem e merecem aquilo que está prometido na Constituição Federal de 1988: a diminuição do risco de doenças e outros agravos. A partir disso, o reaparecimento de doenças erradicadas, devido à problemas de vacinação, mostra-se uma afronta aos direitos do brasileiro.

Em primeiro lugar, deve-se destacar a queda nas taxas de vacinação, como a tríplice viral, que, em 2014, tinha cobertura vacinal próxima de 100% e, em 2017, caiu para 85%, segundo o Ministério da Saúde. Uma das hipóteses levantadas por esse órgão é que, por conta do sucesso das campanhas de vacinação no Brasil, há a falsa sensação de que não há mais perigo. Dessa maneira, perde-se o senso geral de urgência, necessário em momentos em que doenças como o sarampo, rubéola e poliomielite retornam e encontram base para se expandir.

Ademais, a crise econômica dos últimos anos coincide com o baixo índice de vacinação. O orçamento para compra de imunológicos é feito pelo Ministério da Saúde e continuou garantido, mas cresceu em ritmo mais lento e priorizou-se o tratamento em detrimento da prevenção. Em 2015, antes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, a propaganda se restringia ao Facebook e, em 2016 e 2017, o governo se voltou novamente para a propaganda, como na televisão e rádio, mas se repetiu durante esses anos o mesmo anúncio, o que reduz o impacto da mensagem para o público.

Em síntese, para inibir a negligência de muitos brasileiros em relação à vacinação, o Ministério da Saúde, em parceira com a mídia, deve focar na prevenção de doenças, por meio da propaganda na televisão e nas ruas, como em outdoors, para que todos reconheçam a urgência da vacinação e possam se precaver. Além disso, poderiam ser realizadas visitas, nas casas dos não vacinados, de equipes de saúde do poder privado e público, em suas área de abrangência, para que esses tenham seu bem-estar garantido.