O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 27/08/2018
Insegurança imunológica e o reaparecimento de doenças erradicadas
No final do século passado, o médico Andrew Wakefield, guiado por interesses financeiros próprios, divulgou o resultado de sua pesquisa - a qual relacionava a vacinação contra a sarampo ao autismo - dando força ao movimento antivacinação. Desinformações como essa, em circulação no mundo globalizado, a diminuição da percepção de risco das doenças pela população e a crise político-econômica pela qual passa o Brasil, garantem a insegurança imunológica baseada no reaparecimento de moléstias erradicadas no país. Ante a situação, estratégias para revertê-la tornam-se indispensáveis.
Inicialmente, é importante considerar as diferenças locacionais que asseguram a reincidência de patologias, no Brasil, visando a promoção direcionada de subterfúgios à segurança imunológica coletiva. Isso porque os surtos de doenças podem estar ligados à fatores: migratórios (caso dos nortistas em contato com o sarampo entre os venezuelanos); educacionais (relacionados ao combate de IST’s); de falta de verbas (comprometendo a distribuição de doses vacinais nos postos de saúde) ou psicológicos (falso sentimento de segurança, caso da sífilis, gonorreia e poliomielite). Assim sendo são substanciais o esclarecimento populacional - deixando claro que a medicina preventiva é um dos maiores fatores para a redução da mortalidade infantil, e do aumento da expectativa de vida contemporaneamente -; mas também, a cobrança social para que as tributações pagas revertam em condições mínimas de saúde, uma prioridade governamental ainda que no turbulento contexto político-econômico.
Para além disso, faz-se necessário que se promova a consciência coletiva. Essa, de acordo com o sociólogo Durkheim é o que garante a coesão das ações populacionais, levando os indivíduos a compreenderem que se inserem em uma solidariedade orgânica, ou seja, como em um organismo vivo, as partes interdependem para o bom funcionamento do todo. Assim, a suplantação do individualismo pelo coletivismo é imperativa; de maneira que se perceba que a atitude individual, por exemplo, de não se vacinar ou de não utilizar camisinha reverbera em todo um conjunto de pessoas susceptíveis às consequências de tal atitude. Portanto, somente uma cobertura vacinal elevada e a adequação aos métodos preventivos das doenças é capaz de acabar com o reaparecimento daquelas erradicas.
De acordo com o exposto, objetivando conter a reincidência de patologias erradicas é preciso que por força da lei, o Ministério da Saúde tenha como diretriz base a realização de campanhas preventivas orientadas pelas necessidades regionais no Brasil. Ademais, o ambiente escolar deve servir ao debate, em palestras, com pais e alunos sobre as consequência das ações individuais na segurança imunológica coletiva, mas também alertar quanto ao compartilhamento de desinformações sobre o tema.