O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 26/08/2018
No Brasil hodierno, a presença de doenças reemergentes é uma questão a tratar. Nesse aspecto, tal problemática não deve ser vista somente como resultado da falta de suporte aos centros de pesquisa nacionais, mas também como uma consequência do baixo acesso ao saneamento no país. À vista disso, faz-se necessária a ação do Governo a fim de reverter o cenário.
Nessa perspectiva, é possível identificar a fragilidade da ciência no país, fator evidenciado nos inúmeros cortes sofridos pelo setor, como uma das principais razões para o reaparecimento de doenças erradicadas. Tal fragilidade se deve, sobretudo, à desvalorização da área, o que permite que essas reduções ocorram sem nenhum tipo de reação por parte da população. Por esse prisma, o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Ildeu de Castro, afirma que a falta de apoio a esse campo compromete o futuro da saúde pública no Brasil, uma vez que o país pode não ser capaz de desenvolver vacinas e soluções para doenças emergentes. Nesse contexto, também é possível observar o impacto dos avanços tecnológicos e científicos das sociedades globalizadas na medicina.
Outrossim, verifica-se os efeitos da infraestrutura nacional esse quadro. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, somente 42% dos esgotos no país são tratados. Esse índice aponta para uma enorme exposição de parte da população ao risco de contração de doenças, erradicadas ou não, já que seu surgimento se relaciona diretamente as condições locais de higiene. Durante a Primeira Revolução Industrial, por exemplo, os bairros operários, que não contavam com um sistema de esgoto eficiente, sofriam com recorrentes epidemias. Por esse viés, boa parte da sociedade brasileira, qual não possui saneamento básico, tem sua integridade ameaçada, como pode ser visto no documentário “A luta pelo básico”.
Destarte, infere-se a tomada de novas medidas de modo a combater a problemática supracitada. Primeiramente, o Estado tem a obrigação de ceder uma maior verba as instituições científicas. Essa, deve ser utilizada em pesquisas acerca das doenças erradicadas que estão reaparecendo, possibilitando a prevenção e cura definitiva. O Ministério da Cultura, por sua vez, precisa investir na conscientização popular, promovendo palestras em escolas e universidades a respeito da importância da ciência, para que o ramo receba o devido apoio e, consequentemente, se torne mais forte. Ademais, o Ministério do Meio Ambiente deve garantir coletas de lixo e a construção de mais estações de tratamento de esgoto, melhorando a infraestrutura do país e reduzindo, consideravelmente, o número de brasileiros suscetíveis a essas doenças.