O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 28/08/2018
Na visão de René Descartes, considerado o Pai da Filosofia Moderna, “Não existem métodos fáceis para resolver problemas difíceis”. Embora séculos tenham se passado desde a afirmativa, questões como o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil ainda são consideradas grandes entraves difíceis de serem resolvidos. É latente que esse cenário se agrava devido à herança histórica do país, bem como a imprudência nas atitudes dos cidadãos, requerendo assim soluções em caráter urgente.
Em primeira instância, é válido destacar que a população brasileira já se recusou a aderir a vacinação como benefício para saúde. A Revolta da Vacina representou a luta dos moradores do Rio de Janeiro, principalmente os das zonas periféricas, contra a injeção do líquido antivírus, caracterizando a solução como grande malefício que causaria a morte do povo. Tal atitude é, de certo modo, aceitável, já que a substância era desconhecida e, por isso, ocasionou medo. Entretanto, um século depois, ainda existem casos de indivíduos que se recusam a aceitar a vacinação como método preventivo contra doenças virais. Desse modo, o movimento antivacinação revela uma herança histórica em que parcela dos cidadãos desconhece os benefícios gerados pela vacina e sua extrema relevância para saúde.
Ainda convém ressaltar que a irresponsabilidade nas ações humanas também é um catalisador para o ressurgimento de enfermidades antes controladas. Segundo pesquisa realizada pela Secretaria de Saúde do Paraná, em 2011 foram registrados mais de 20 mil casos de dengue somente no estado. Estatísticas como essas poderiam ser evitadas se houvesse maior controle dos locais que abrigam o mosquito Aedes Aegypti que permitem sua reprodução e, consequentemente, a proliferação do vírus em larga escala. Dessa forma, é possível compreender que o ser humano também possui grande responsabilidade para controlar essas doenças, visto que, em consonância com o político estadunidense, Abraham Lincoln, “Você não consegue escapar da responsabilidade de amanhã esquivando-se dela hoje”.
Fica evidente, portanto, a necessidade de soluções práticas para combater os causadores do ressurgimento de doenças erradicadas no Brasil. A começar pelo Ministério de Saúde que, em parceria com a mídia, deve elaborar anúncios informativos acerca da vacinação e veiculá-los em todos os canais de TV aberta com o intuito de orientar a população acerca de sua importância para a humanidade, dizimando assim os grupos antivacinação. Ademais, cabe ao Ministério de Saneamento Básico promover com maior intensidade a fiscalização de possíveis locais de proliferação de doenças, com o fito de evitar a reprodução dos vetores virais e a propagação dos vírus. Destarte, toda a nação brasileira poderia homologar como o ideal descartiano, adotando medidas burocráticas,porém eficazes.