O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 01/09/2018
“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo a ultrapassar a da própria existência. Todavia, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, uma vez que os índices de doenças outra erradicadas - como sarampo e febre amarela - tem ressurgido no contexto brasileiro. Dessa forma, ao invés de aproximar a realidade descrita por Platão da vivenciada, as políticas adotadas pela União acabam contribuindo para a situação.
Em primeira análise, vê-se que a inércia do Estado perante a situação constitui-se como uma das principais causas do impasse. Consoante o filósofo contratualista John Locke, é dever do Estado – através do contrato social -, garantir a integridade dos cidadãos, entretanto, o mesmo não vem cumprido seu papel, haja vista que a Emenda Constitucional 95 – recém aprovada no Congresso – prevê o congelamento dos investimentos em saúde durante 20 anos, resultando então, na redução das verbas destinadas a profilaxia e combate de doenças. De acordo com o recente levantamento realizado pelo jornal O Globo, com base no Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento do Governo, enquanto os investimentos em prevenção de doenças decresceram 33%, o país registrou cerca de 800 novos casos de febre amarela.
Outrossim, destaca-se a escassez de políticas que visem a conscientização popular acerca da importância da vacinação como fator impulsionador do problema. Segundo Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, o sucesso do PNI desde a sua criação garantiu que a atual população, por ser vacinada, tivesse uma saúde adequada. Todavia, esse fato acabou por gerar a errônea visão da vacina como curativa, resultando então na busca pela imunização apenas quando doenças já controladas em terras brasileiras voltam a reincidir. Tal pensamento, aliado a ascensão do movimento antivacinação – defensor da visão do ato de imunizar como algo negativo – resultou na redução de toda a cobertura vacinal nacional, elevando o país a uma situação preocupante, conforme relatório da Unicef.
É evidente, portanto, a necessidade da solidificação de políticas que visem a promoção de melhores condições de vida à toda nação. Destarte, cabe ao Governo Federal em conjunto com o Ministério da Saúde um maior investimento na adoção de medidas profiláticas. Para tanto, deve-se desenvolver ações de “Dia D de vacinação” mensalmente, para que assim a população sinta-se estimulada a vacinar-se regularmente, além da realização de campanhas publicitárias, como o retorno do Zé Gotinha, e palestras que visem a conscientização da sociedade acerca da importância da imunização.