O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 31/08/2018
A eliminação de doenças, como a varíola, foi um grande marco na saúde pública à nível mundial. Avanços tecnológicos e iniciativas governamentais, como a campanha de vacinação ocorrida no país durante a presidência de Rodrigues Alves, erradicaram diversos focos endêmicos, no entanto, hodiernamente, diante dos movimentos anti-vacinação e problemas urbanos, verifica-se o reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil. Desse modo, é necessário que o governo e a sociedade atuem contra essa problemática.
De acordo com Paulo Freire, “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo” , e isso é observado pelo fato de que no senso comum e dentro da própria comunidade científica , como o gastroenterologista Andrew Wakefield, que associou a vacina Tríplice Viral ao autismo em 1998, há um movimento anti-vacinação, não só no Brasil, mas no mundo, com pais que optam por não vacinar seus filhos devido à inúmeros motivos, como dogmas religiosos. E, diante da globalização, é evidente que o reaparecimento de doenças no mundo, principalmente em países desenvolvidos, como tem acontecido, implica em problemas globais.
Simultaneamente, destacam-se os problemas urbanos como intensificadores dessa problemática. Muitas doenças são transmitidas por via respiratória, e a aglomeração em grandes centros,sem proteções, como o uso de máscaras, propicia a disseminação de muitas bactérias e vírus. Além disso, há os problemas urbanos vividos pelos brasileiros, como a desigualdade e as áreas periféricas com baixas condições de saneamento, sendo que, certamente, a insalubridade infere na saúde de uma população, principalmente no Brasil, que se encontra na zona intertropical e constitui-se de biomas que são habitat de inúmeros vetores e agentes etiológicos, se tornando claro o quanto o tecido social se fere diante da exposição à tantos riscos.
São evidentes, dessa forma, os desafios para que o fato supracitado seja superado. Destarte, o Ministério da Saúde deve criar campanhas de TV veiculadas nos principais meios de comunicação em horário nobre, salientando a importância da vacinação e desmentindo alegações contra esse método preventivo, através de breves explicações por um corpo de especialistas da área da saúde. Outrossim, a sociedade deve integrar-se na solução dessa problemática e, para isso, o Ministério da Educação deve instituir nas escolas da rede pública de ensino fundamental II, palestras ministradas por médicos e agentes da saúde, salientando a necessidade de métodos profiláticos complementares, como o uso de antissépticos e a importância da manutenção de hábitos de higiene. Com efeito, é possível que o governo e a sociedade caminhem para o fim do reaparecimento de doenças erradicadas.