O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 01/09/2018

No século XVIII, Edward Jenner foi responsável por um dos maiores avanços no controle de doenças transmissíveis: a vacinação. Após esse primeiro experimento, em que se descobriu a vacina antivariólica, outros foram realizados e a prevenção de doenças como sarampo, poliomielite, coqueluche, rubéola, entre outras, se tornou possível. Na década de 1990, por meio de campanhas de vacinação em massa realizadas ao longo de anos, o Brasil viu-se livre de determinadas doenças contagiosas, atingindo, assim, o que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera como a erradicação dessas doenças. Contudo, recentemente novos casos voltaram a acometer a população e a preocupar as autoridades, exigindo que novos esforços sejam realizados para combatê-las.

Ainda especula-se o motivo do ressurgimento de doenças erradicadas no país, mas as principais evidências apontam que as desigualdades sociais, causadas pelo sistema de exploração de mão de obra, deixam a população carente exposta a condições de saneamento precárias. Esse cenário, aliado à fácil propagação dos vírus, permite a volta dessas doenças e a sua rápida transmissão. Pode-se citar como exemplo os constantes surtos de dengue nos verões brasileiros dos últimos anos.

Para agravar ainda mais essa situação, as campanhas de vacinação infantil não vêm obtendo os resultados esperados na cobertura do público-alvo. Desta forma, um grande número de crianças ficam expostas, e, uma vez que o vírus ainda esteja no ambiente, novos casos podem surgir e se propagarem numa velocidade de difícil controle. Dentre as principais causas para esse baixo nível de atendimento, apesar da inexistência de grandes grupos antivacinação no país, percebe-se certa negligência por parte dos pais que não levam seus filhos para tomarem as doses necessárias.

Outra fonte para o ressurgimento dessas doenças está associada à globalização. Uma vez que o fluxo de pessoas entre os países está cada vez maior, é possível que os vírus das doenças viajem de um país a outro. Contudo, isso apenas se torna perigoso caso não haja um controle preventivo no país de destino. Ou seja, o país precisa manter sua população imunizada e, ao mesmo tempo, exigir que as que nele ingressam estejam devidamente vacinadas.

Da mesma forma, para controlar e reverter a situação atual, as autoridades sanitárias devem intensificar as campanhas de vacinação, conscientizando os pais sobre essa responsabilidade legal e social. Por se tratarem de crianças, é importante aliar as forças da Secretarias de Saúde e de Educação em nível federal, estadual e municipal, promovendo a busca ativa das que ainda não foram vacinadas. Investimentos em infraestrutura de saneamento básico também são importantes, pois dificultam a propagação de determinados vírus, principalmente entre os mais carentes.