O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 03/09/2018
A Conferência Nacional da Saúde de 1986 criou as bases para que, a partir da Constituição de 1988, a saúde se tornasse direito do cidadão e dever do Estado. Ainda que os avanços nessa área ao longo dos anos sejam inegáveis, inúmeras doenças que já haviam sido erradicadas têm voltado a se manifestar no Brasil. Embora pareça contraditório, as principais causas disso são claras e tem relação com a falta de prevenção e de investimentos governamentais.
Apesar de uma campanha de vacinação obrigatória ter gerado conflitos no Rio de Janeiro, o médico sanitarista Oswaldo Cruz obteve enorme sucesso no combate à uma série de doenças endêmicas no início do século XX. Cada vez mais desenvolvida, a medicina continuou eliminando surtos como esse. Entretanto, esse próprio desenvolvimento fez com que as pessoas se prevenissem menos por estarem perdendo o medo. Dentre as principais vilãs estão as doenças sexualmente transmissíveis, como é o caso da AIDS, que não é mais uma sentença de morte como em décadas passadas. Somando essa perda de medo com o hedonismo da sociedade moderna, os indivíduos raramente se preocupam em se proteger. Além disso, movimentos anti-vacinação têm se tornado cada vez mais frequentes devido a disseminação de notícias falsas em relação aos dos efeitos das vacinas. Assim, a população fica ainda mais vulnerável.
Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde apontou a vacinação somente como o segundo maior avanço na saúde pública, atrás ainda do consumo de água potável. Sendo assim, não adianta apenas estimular medidas preventivas enquanto grande parte da população ainda sofre com a falta de saneamento básico, estando sujeitas a inúmeros riscos. Da mesma forma, o Brasil tem enraizado um histórico de baixos investimentos e descaso com a saúde em geral. As Santas Casas de Misericórdia na época da monarquia não contavam com o auxílio do governo e viviam da caridade. Analogamente, nos dias de hoje o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não recebe as verbas suficientes, comprometendo o atendimento.
Logo, o reaparecimento das doenças erradicadas devem ser combatido através de estímulos à prevenção por meio de uma reeducação a respeito das medidas preventivas. Cabe ao Ministério da Saúde em parceria com as escolas promover palestras para pais e alunos sobre a importância de ter hábitos saudáveis e ainda desmistificar os falsos boatos na internet sobre os riscos das vacinas. Ademais, o Estado deve investir em projetos para uma melhoria na gestão do SUS, a fim de combater os desafios que ele enfrenta para cumprir o seu trabalho. A partir disso, a problemática seria mitigada e o país seria exemplo internacional de um povo saudável.