O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 01/11/2018

Charles Darwin, estudioso responsável pela elaboração da teoria de seleção natural, ancorou em terras brasileiras para estudar certa espécie de ave e acabou por contaminar-se com a doença de Chagas, que levou-o à morte. De maneira análoga, no Brasil contemporâneo, diversas epidemias ceifam vidas, e a volta de doenças, até então consideradas erradicadas, ameaçam a saúde tupiniquim. Dessa forma, seja pela intensificação do processo de contaminação através da globalização, seja pela negligência da população, de fato, o surto de mazelas erradicadas tornou-se um entrave para o bem social da nação.

A princípio, é lícito referenciar o livro “Dom Casmurro“, de Machado de Assis, uma vez que o protagonista adquire uma doença letal fora do país e resolve regressar para suas origens, com o intuito de morrer em paz. Nesse sentido, têm-se, no processo de globalização, o encurtamento das distâncias físicas entre os países, que facilita a disseminação e contaminação de doenças de diferentes habitats. Diante disso, dados da OMS vão de encontro a essa afirmação, uma vez que, em 2013, foram confirmadas transmissões autóctones do vírus da Zika no continente americano, com quase doze mil infectados e 140 mortes. Assim, percebe-se que a livre circulação de pessoas acentua proliferação e o regresso de mazelas já extinguidas, dificultando seu controle.

Além disso, a saúde pública ainda enfrenta como barreira a alienação da população, visto que essa acredita facilmente em teorias modernas propagadas nas redes sociais, carregadas de inverdades acerca da vacinação, resistindo às profilaxias que lhes são ofertadas. A vista de tal preceito, a tese do “hábitos”, proposta por Pierre Pierre de bordo dia A vista de tal preceito, a tese do “Hábitus“, proposta por Pierre de Bourdieu, corrobora essa tese, pois afirma que a sociedade incorpora verdades que lhe são impostas sem questionar, naturalizando-as e reproduzindo-as. Diante disso, evidencia-se que a negligência da população em vacinar-se agrava o reaparecimento de doenças erradicadas.

Com essas constatações, infere-se que a globalização, aliada a negligência dos cidadãos, minam o progresso da saúde pública da nação. Logo, urge-se que o Ministério da Saúde, em parceria com os meios de comunicação, intensifique a disseminação de campanhas publicitárias nas mídias socais e televisivas, visando informar à população das inverdades propostas pelas redes sociais, utilizando-se, para isso de conceituados médicos com linguajar simples e informacional. Com essa medida, será possível alertar à todos os telespectadores e conscientizá-los da importância da prevenção e, assim, poder-se-á garantir que novos Darwins contribuam para novas ciências e tecnologias, sem ameaças de infecções.