O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil

Enviada em 02/10/2018

Durante a Idade Média, na Europa, circulavam semanalmente “boletins de mortalidade”, nos quais era feita a relação entre o número de falecimentos e suas respectivas causas. Entre as doenças mais letais figurava a varíola - doença infectocontagiosa causada por um vírus. No entanto, no século XVIII a escritora inglesa Mary Wortley Montagu inoculou em sua filha o vírus atenuado da varíola, de forma a imunizá-la, o que rapidamente se difundiu por toda a Europa, reduzindo drasticamente os índices de letalidade da doença. Além da varíola, várias outras patologias foram consideradas erradicas com o desenvolvimento das vacinas, mas apesar disso, um grande número delas têm reaparecido nos últimos anos em todo o mundo.

No Brasil, as principais doenças que haviam sido fortemente atenuadas por meio de políticas públicas e voltaram a apresentar surtos recentemente, são a dengue, a febre amarela, o sarampo e a tuberculose. No caso das duas primeiras, a transmissão se dá pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, cujas populações aumentaram exponencialmente devido ao excessivo desmatamento  de áreas florestais, o que destrói o habitat natural dessa espécie e consequentemente acarreta sua migração para as cidades, facilitando a propagação do vírus.

Além do fator ambiental, é preciso ressaltar que todas as doenças citadas anteriormente são facilmente passíveis de prevenção, por meio das vacinas. Todavia, muitas pessoas têm se posicionado contra a vacinação, devido à ignorância acerca do seu mecanismo e à divulgação de mitos que causam medo  e receio na população. Esse fator é um grande empecilho à profilaxia de doenças contagiosas, mas é também um mecanismo de auto-proteção contra o desconhecido, fato explicitado por Michel de Montaigne ao afirmar que o “ser humano condena tudo que lhe é estranho”.

É preciso, portanto, que medidas sejam tomadas com o fito de atenuar a recorrência de patologias erradicadas e evitar o retrocesso da saúde no Brasil. Inicialmente, é fundamental que o Poder Público , por meio da polícia ambiental, se encarregue de fiscalizar as leis que proíbem a retirada de mata nativa sem reposição, de forma a evitar desiquilíbrios ambientais e as consequências desses para a espécie humana. Ademais, é imprescindível  que o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, crie campanhas para disseminar conhecimento, com o objetivo de informar a sociedade a respeito das vacinas e sua eficácia na prevenção de diversas doenças, de modo a impedir o surgimento de epidemias no país.