O reaparecimento de doenças erradicadas no Brasil
Enviada em 04/10/2018
De acordo com Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Assim, para que esse organismo seja igualitário e coeso é vital que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil, a coesão necessária entre saneamento básico e vacinação para evitar o surto de doenças erradicadas não ocorre de maneira eficaz. Com isso, urge estabelecer políticas públicas que proporcionem o combate eficiente às epidemias contemporâneas.
Em primeiro plano, evidencia-se a inacessibilidade a quesitos essenciais de higiene como fator propulsor do reaparecimento de determinadas doenças. Segundo o Instituto Trata Brasil, o país apresenta pelo menos 30 milhões de brasileiros desprovidos de água tratada e mais da metade da população não possui esgoto coletado. Nesse cenário, microrganismos e vetores, como o Aedes aegypti, encontram ambientes propícios não só para a proliferação, mas também para a disseminação de enfermidades, como a cólera e a febre amarela, entre os cidadãos. Logo, o saneamento básico se apresenta como barreira imprescindível no enfrentamento ao alastre de patologias.
Paralelamente a isso, destaca-se a resistência à imunização como motor perpetuador de moléstias entre a população. De fato, após a disseminação de inverdades sobre os efeitos das vacinas, como a falsa associação do imunobiológico Tríplice Viral ao autismo, revelada pelo inglês Andrew Wakefield, houve uma ascendência no número de movimentos antivacinação por temor das sequelas contestadas. Por consequência, doenças infectocontagiosas, como o sarampo, se alastram entre os imunodeprimidos. Dessa forma, ressalta-se a intervenção pública para reverter o quadro alarmado. Entende-se, portanto, que o ressurgimento de epidemias é fruto do deficiente sistema de tratamento de água e esgoto somado à difusão de informações inconsistentes na sociedade brasileira. Assim, urge-se imperioso que o Ministério das Cidades exija das prefeituras um projeto, com base na Lei de Saneamento básico, para que esse seja aprovado e executado pela verba liberada, a fim de garantir acessibilidade higiênica à população.Ademais, compete ao Programa Saúde Familiar o reforço da imunização, por meio da vacinação a domicílio, com o fito de abranger maior cobertura imunizadora. Desse modo, o país apresentará partes coesas para impedir o desdobramentos de epidemias no século XXI.